“O cargo é dele e ele nomeia quem quiser. Fico triste porque amo de paixão o sindicato. Foi ali que criei e estudei meus filhos.
Confesso que não é o que eu queria, por mim ficaria até no final dessa gestão, mas, como está complicado, é melhor cada um cuidar da sua vida. Se ele acha que tem alguém melhor para o meu lugar, boa sorte, felicidades”. A frase é de Ivânio Batista, que após 22 anos como diretor-executivo no Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), deixa o cargo.
Aos 63 anos, ele não é mais o homem de confiança no sindicato em razão de divergências com o atual presidente, Jorge Félix Donadelli. Os rumores de sua saída começaram em setembro, mas a confirmação só veio ontem, quando deixou o sindicato. Ao Comércio, Ivânio disse não ter pedido demissão e nem sido demitido. “Houve um acordo amigável. Sem rixa, nem brigas. É um cargo que vai de empatia, de confiança. Com o Jorge não está dando certo. Nem para ele, nem para mim”, lamentou Ivânio.
Apesar do “acordo”, Ivânio deixa o sindicato com pesar. Ele afirmou ter trabalhado com nove presidentes, alguns deles até em mais de uma gestão, e nunca teve problemas.
Procurado pelo Comércio, Jorge Donadelli confirmou a saída de Ivânio, mas disse que foi um procedimento “meramente administrativo”. Segundo ele, o cargo de diretor-executivo não existe mais. Nelson Barbosa, atual secretário-executivo, vai acumular as duas funções. Questionado sobre as divergências com Ivânio, Donadelli afirmou não ter havido nenhuma. “Continuo admirando o trabalho dele, sempre foi bom funcionário”, disse, acrescentando que o sindicato está trabalhando para fazer economia e o custo do salário de Ivânio era alto. “Era um salário incompatível com a possibilidade do sindicato. Por isso fizemos acordo.”
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