Mais de 190 trabalhadores da linha de produção da Calçados Samello foram demitidos ontem. A diretoria da empresa não confirma o número que deve ser oficiali-zado hoje, mas admite que passou uma lista na manhã de ontem para que os interessados em deixar a empresa assinassem. Se a demissão de todos que assinaram a lista for confirmada, a Samello, que já chegou a contar com mais de 3 mil funcionários para produzir de 10 mil a 12 mil pares por dia terá seu quadro reduzido a 90 empregados.
Procurado pelo Comércio, o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, não foi encontrado. A reportagem ligou doze vezes para a empresa e a telefonista disse que ele não estava e não soube informar se ele voltaria. Seu celular também estava desligado. No departamento de Recursos Humanos ninguém estava autorizado a dar informações.
O Sindicato dos Sapateiros também tentou confirmar o número de demitidos, mas só terá a lista nesta terça-feira. Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato, disse que pela manifestação dos funcionários durante a assembléia na manhã de ontem, era possível prever que poucos vão esperar pela recuperação da empresa. “Apenas trabalhadores que pertencem à diretoria do sindicato, às Cipas e em licença-maternidade ou doença não podem ser dispensados”, disse, lembrando que hoje poderá haver mais demissões.
Os funcionários dispensados ontem deverão rescindir seus contratos no dia 23 de novembro. Todos estão há dois meses sem receber salários. Até a noite de sexta-feira a empresa não havia conseguido recursos para quitar a folha de pagamento já acumulada em mais de R$ 1,2 milhão. Agora terá de pensar em mais uma dívida: a rescisão.
Ao Comércio, na sexta-feira, Miguel afirmou que os demitidos receberão todos os direitos. Segundo ele, quem ficar na empresa também receberá os salários, inclusive os dias parados. Ele só não informou como fará o pagamento. Porém, tanto a retomada pelos trabalhadores como a compra de insumos para voltar a produzir de 300 a 500 pares por dia estão condicionadas à venda de algum patrimônio da família Mello ou de injeção de recursos através de investidores.
O sindicalista Paulo Afonso disse que caso a Samello não pague as rescisões, os trabalhadores terão de acionar a Justiça do Trabalho. “Vamos esperar até o dia 23 e ver o que acontecerá. Se a empresa não pagar, faremos uma assembléia e os funcionários decidem se entram com ação coletiva ou individual”.
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