Língua solta


| Tempo de leitura: 4 min
Nova família, novos costumes, tradições, cultura e, claro, uma língua pátria que não é a sua. Na mochila, escova de dentes, fotos dos pais, dos irmãos, melhores amigos, do cachorro, carta do(a) namorado(a) e muita, muita saudade. Todos os anos, jovens de diversas partes do Brasil, inclusive francanos, se aventuram a sair de casa para fazer intercâmbios em outros países, seja para obter fluência em um novo idioma ou para trabalhar durante o período de férias escolares. Amadurecimento emocional e cultural e uma bagagem de conhecimento diferenciada são as condições que atraem os jovens viajantes. Fernanda Essado, 20 anos, está de viagem marcada para a Austrália. Ficará no país por três meses, onde espera aperfeiçoar e melhorar o nível do inglês, que já domina há mais de seis anos. Para ela, estar em outro país e ser avaliado por cursos estrangeiros contarão pontos no seu futuro profissional. “Apenas saber inglês, hoje, não basta no mundo competitivo no qual vivemos. O básico já não é o bastante. Quem quer se destacar tem de se aperfeiçoar”, diz a estudante. A decisão de estudar no Canadá contou com o apoio de todos os membros da família. A mãe, Eliana, fica apreensiva às vésperas da viagem da filha, mas sabe que a escolha é acertada. “Quero o melhor para ela, mas dá um frio na barriga saber que ela ficará tão longe da gente”, diz a mãe. AGÊNCIA Viajar para o exterior exige planejamento e tempo para se informar de tudo o que o jovem precisa para sair do País. Principalmente porque o custo da decisão é bastante alto. Um programa de quatro semanas em escola do Canadá na agência Open Seas Intercâmbio e Turismo, por exemplo, fica em US$ 2940 (dólares americanos). De acordo com Márcia Braga, agente de viagens da empresa, o preço inclui curso completo mais acomodação em casa de família com 3 refeições diárias para 4 semanas, taxas e materiais didáticos, seguro-saúde, parte aérea, emissão de passaporte e taxa de visto. Para ficar mais tranqüila, a mãe acompanhou todo o processo de procura da filha por informações sobre os intercâmbios. “Planejei a viagem por um ano. Tudo para não errar. Procurei uma agência de viagens confiável, arrumei minha documentação, busquei informações sobre como são feitos os intercâmbios até decidir que iria”, afirmou Fernanda. Conhecer um pouco da cultura antes da viagem também é importante para não ser pego de surpresa. Afinal, ao morar em casa de família, o estudante será uma espécie de “membro” dela, por isso, deverá se adequar aos comportamentos da casa, respeitar horários e ajudar nos afazeres domésticos, se preciso. WORK AND TRAVEL Outra modalidade de intercâmbio muito utilizada por francanos é o Work and Travel Program (Programa Trabalhe e Viage). O programa, como o próprio nome diz, leva jovens universitários durante as férias brasileiras de verão para trabalhar nos Estados Unidos. As vagas são apresentadas de acordo com o perfil do participante e nível de conhecimento de inglês e são criadas em restaurantes, lojas, hotéis, resorts, estações de esqui e parques temáticos. A vantagem é que os estudantes geralmente recebem durante os quatro meses de permanência naquele país (tempo máximo exigido no contrato) o equivalente ou mais que os R$ 7 mil necessários para o investimento. A remuneração varia de US$ 6,50 a US$ 10 por hora e a carga horária semanal é variada, porém estimada entre 30 a 40 horas. Karoline Carvalho Rodrigues, 21 anos, e a colega de república, Cláudia Sarkis, ambas estudantes do curso de Relações Internacionais da Unesp, estão de viagem marcada. As amigas saberão no local como será o trabalho, mas não estão preocupadas com isso. “Lá, recebemos um tratamento de muito respeito e profissional. Os pagamentos são em dia e somos muito bem tratados por nossos empregadores, pois sabem que somos estudantes e estamos ali para aprender também”, disse Cláudia, que já esteve nos EUA no ano passado, onde trabalhou como garçonete de um café e recepcionista do saguão de um aeroporto. A remuneração da viagem passada vai pagar sua segunda temporada a trabalho na América do Norte. Além do trabalho e da boa remuneração, Cláudia sabe que a temporada fora do País é uma ótima oportunidade para tornar seu currículo mais rico. “É uma ótima oportunidade de aprendermos algo sobre outras culturas”, disse Segundo Tayná, da EM Quadra Intercâmbio e Turismo, umas das exigências para que o jovem possa fazer parte do programa Work and Travel é ter idade máxima de 30 anos e cursar, no momento, a universidade. “Eles aproveitam suas férias para participar. É uma exigência de quem os contrata”, explica Tayná. Segundo a agente de turismo, sobre os custos de aproximadamente R$ 7 mil para a viagem, estão incluídos taxas, visto, passaporte, entre outros, inclusive vaga de emprego. SERVIÇOS Openseas Turismo e Intercâmbio Cultural, Rua Ouvidor Freire, 1497, telefone (16) 3721-8770, e-mail - turismo@openseas.tur.br; site: www.openseas.tur.br. Em Quadra Intercâmbio, Rua Padre Anchieta, 1045, telefone (16) 37212162.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários