Cirurgias eletivas ou creches? O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) tem pouco mais de um mês para resolver um impasse criado por ele mesmo junto à Câmara Municipal. Um projeto seu enviado ao Legislativo cancela uma dotação orçamentária (espécie de autorização de gasto) de R$ 1 milhão da Câmara e transfere os recursos para a construção de três creches na cidade - nos bairros Recanto Elimar, Jardim Luiza II e Jardim Paulistano, anunciada, inclusive, em uma entrevista coletiva realizada há uma semana.
Tudo certo. Não fosse o fato do presidente da Câmara, Marcelo Mambrini (PMN), ter outros planos para a verba. Apoiado pela maioria dos vereadores, Mambrini quer usar o mesmo R$ 1 milhão para a realização de cirurgias eletivas no município. Os vereadores acreditam que, como a verba é da Câmara, caberia a eles decidir onde o dinheiro seria aplicado. Uma audiência pública para discutir as cirurgias foi realizada pela Casa na última terça-feira, mesma data em que os vereadores adiaram um parecer sobre o projeto do prefeito que trata da verba para as creches.
Para poder transferir os recursos, Sidnei depende da aprovação dos vereadores. Estes, por sua vez, dependem de Sidnei para a propositura do projeto que transfere a verba do Legislativo para a cirurgias, já que só prefeito tem autorização legal para mudar a destinação de recursos no orçamento. Eis o imbróglio.
Cerca de 4 mil pessoas aguardam na fila de cirurgias eletivas em Franca. São pacientes que chegam a ficar até quatro anos à espera de uma intervenção. Um milhão de reais reduziria essa fila pela metade. Por outro lado, especialistas em educação dizem que há um déficit de aproximadamente 2100 vagas nas creches do município. As três unidades já anunciadas pelo prefeito preencheriam 10% desse vazio.
Entre os números - e as pessoas que eles representam -, nos bastidores, comenta-se que o prefeito não vá compactuar com “uma jogada de marketing” da Câmara e de seu presidente, que, depois de uma administração tumultuada, tenta apagar, ao menos em parte, a má impressão deixada.
Na quinta-feira, o prefeito enviou ofício aos hospitais da cidade pedindo que eles informem quantas cirurgias poderiam realizar até o fim do ano. Santa Casa, Hospital Regional e Unimed não responderam ao documento até agora. Como as dotações vencem em 31 de dezembro, Sidnei quer saber se haverá tempo hábil para executar as cirurgias. Uma resposta pouco otimista inviabilizaria as eletivas, justificaria a escolha pelas creches e serviria como argumento para convencer a Câmara a aprová-las.
Se o prefeito não decidir até 31 de dezembro o que fazer com os recursos, eles ficam parados na conta da Prefeitura até o próximo ano.
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