Alheia ao sofrimento de uma mãe que teve que se submeter a um aborto para a retirada de um feto anencefálico (sem cérebro) e sem chances de sobrevivência, uma nota será lida nas missas deste domingo em Franca reafirmando a oposição da Igreja ao aborto. O texto, assinado pelo bispo diocesano, Dom Diógenes Silva Matthes, e pelo bispo coadjutor Dom Caetano Ferrari, afirma que, independente do fato de um bebê anencéfalo não ter chances de sobreviver por muito tempo após o nascimento, a criança “é uma pessoa vivente e a reduzida expectativa de vida não limita os seus direitos e a sua dignidade” (trecho extraído de um documento italiano).
A decisão judicial favorável ao aborto foi amplamente discutida por todos os setores da comunidade local. O juiz Paulo Sérgio Jorge Filho, que autorizou a retirada do feto, disse em entrevista ao Comércio que é católico, mas que tomou a decisão para abreviar o sofrimento psicológico da mãe, que teria que aguardar toda a gestação para ter um feto que certamente morreria. “É uma vida sem vida”, disse ele, que se pautou ainda em dois diagnósticos médicos. Uma enquete realizada no site do jornal durante a última semana recebeu 1.239 votos. Do total, a ampla maioria (68%) aprovou a decisão do juiz e ficou ao lado da mãe.
NÃO-CONDENAÇÃO
Questionado se a condenação à decisão da mãe pela Igreja não poderia causar mais sofrimento à dona de casa ECSA, o padre Sebastião Fábio Girolamo, pároco da paróquia Santa Rita, declarou solidariedade à mulher. “Não condeno a mulher. Mas não estamos de acordo com o ato. Acho que ela deve ser apoiada nesse momento difícil, de sofrimento, angústia e dos traumas que o aborto causa. Estou com a mãe, mas com o aborto não. Minha opinião é a mesma daquela manifestada pelos bispos”.
Para o padre, o fato do bebê não ter cérebro e já estar condenado a morrer logo não faz diferença: “Se a vida dura cem anos, dois dias ou dois minutos, ela tem valor absoluto, independente da vontade e das opiniões dos homens. A vida não vale mais ou menos se a constituição física da pessoa é perfeita ou não, se ela tem um membro ou não”. E completa: “O objetivo da carta é sobretudo uma orientação aos cristãos. Em nenhum momento a Igreja quer condenar a pessoa. A nota é para alertar a sociedade para não cair nos enganos dessa cultura de morte”, disse o pároco, sem considerar o impacto que a decisão da Igreja pode causar na vida do casal que acabou de perder um filho.
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