No anonimato, proteção à família


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Itamar Alves dos Santos voltou a ser Ramati em julho de 2005, quando sua sobrinha, Roberta Lopes Alves, 20, filha de seu irmão Roberto Alves, 53, o localizou em Franca após intensa pesquisa que incluiu órgãos de segurança, entidades de direitos humanos, empresas por onde o “jovem anarquista” havia trabalhado, a Polícia Federal, a Justiça Militar e a internet. Por eliminação de homônimos, chegou ao telefone de Itamar. A primeira ligação durou 40 minutos. Ambos choraram a maior parte do tempo, trocando informações. “Fiquei surpreso. Estava no trabalho e, de repente, alguém me liga dizendo ser de Juiz de Fora. Jamais podia imaginar que era um parente à minha procura”. O ex-militante de esquerda nunca suporia que pudesse ter um parente à sua procura. “Estava sem contato com eles desde dezembro de 1967. Ninguém tinha notícia se eu estava no Brasil ou se estava vivo. Saudade sempre tive, mas como fui preso, perseguido, torturado e considerado subversivo, afastei-me, porque nunca quis colocar ninguém em perigo, Segundo meus irmãos, minha mãe morreu sonhando rever-me um dia”. Itamar ainda se emociona ao lembrar do primeiro contato. “Minha sobrinha Roberta me devolveu o que eu havia perdido em relação à minha família: a esperança de reencontrar meus irmãos e amigos, além de poder me abrir com minha esposa e meus filhos.” Em 1986, o sofrimento da distância chegou ao ápice. Por meio de contatos que ele tinha chegou a ser informado da morte da mãe. “Chorei por uma semana, escondido dos colegas de trabalho, da mulher e dos filhos. Queria muito ter ido ao enterro, mas temia ser seguido e colocar em risco a vida dos familiares.” Itamar afirma que o esforço seu e de seus companheiros de luta iniciou a longa caminhada pela volta da democracia e da liberdade no Brasil. “Plantamos uma semente que ainda vai florir. Tenho fé que as prisões e torturas não foram em vão”.

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