Uma história de tortura e sonhos perdidos


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Itamar Alves dos Santos afirma ter deixado os estudos de arquitetura por conta da militância política. É autodidata e ingressou na Câmara de Vereadores de Franca por acaso. “Trabalhava na Francolivetti, vendendo máquinas de escrever e computadores. Fui ao Legislativo fazer uma venda e acabei sendo convidado a trabalhar como programador e assistente técnico”. A vida tranqüila de hoje contrasta com um passado difícil de esquecer. “Até hoje, o que mais me incomoda é o barulho de uma goteira numa lata qualquer. Quando estava preso no Forte de Copacabana, durante as sessões de tortura, com mãos e pés amarrados, colocavam água pingando na cabeça da gente e numa lata ao lado. Fique no pau-de-arara, levei choque elétrico com o corpo molhado, fiquei amarrado na masmorra, que era inundada quase até me afogar”. Ao contrário de alguns presos políticos, Itamar nunca reconheceu nenhum de seus torturadores. “Eram todos covardes. Iam para nos torturar encapuzados e quase nunca conversavam. Só aplicavam incessantemente aqueles castigos. Quando achávamos que tudo havia terminado, no meio da noite lá vinham eles, como novos espancamentos, mais choques, mais tortura psicológica.” Itamar confessa que a tortura psicológica mais terrível era a do sorteio. “Colocavam os nomes dos presos num saco de papel e retiravam um nome, dizendo que o sorteado seria mandado embora. Mas na verdade, o nome que aparecia era o de quem seria submetido a mais uma sessão de tortura.” Hoje se contenta com a alegria de ter reencontrado os familiares, amigos e ex-companheiros. Em setembro do ano passado, retornou a Juiz de Fora com a família, dois meses depois de ter sido localizado pela sobrinha Roberta. “Muitos dos conhecidos achavam que eu estava morto. Fui ao Cine Theatro Central, onde fazia a panfletagem na época de militância, em 1964 e1965. Foi emocionante.”

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