Riqueza e generosidade


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Deus é infinitamente bom e nos quer ao seu lado. Seu coração de pai providencia inúmeras oportunidades para salvar-nos. Um dos modos escolhidos por Deus é a sua Palavra que em cada celebração eucarística é proclamada. Nas missas deste domingo escutaremos três leituras muito importantes que querem iluminar nossa vida. O primeiro livro dos Reis nos apresenta o povo de Canaã que adorava Baal, o deus que enviava a chuva e a fertilidade da terra. No tempo de Elias quase todo o povo foi vítima das seduções desse deus e a apostasia foi quase geral. Qual foi o resultado? Eis a surpresa: em vez das esperadas chuvas houve uma seca prolongada e em lugar da abundância de alimentos, a carestia. Os ídolos são todos assim: prometem muito, mas com toda pontualidade desiludem os que lhe prestam culto. Elias é culpado pelo rei como o autor da maldição. O profeta tem que fugir. Em Sarepta ele se encontra diante de uma viúva muito pobre e o profeta lhe pede alimento. Ela sabe da miséria que sofre mas se apresenta generosa. Ela reparte o pouco que tem. A nossa tendência é sempre a de acumular a riqueza para usá-la para nossas satisfações egoístas. A palavra de Deus propõe o desapego, não porque os bens materiais sejam ruins em si mesmos, mas porque só quando são partilhados, quando são colocados à disposição de todos é que realizam o objetivo pelo qual foram criados. O egoísmo é que sempre provoca a nudez, a fome, a miséria. A segunda leitura é da carta aos Hebreus. O trecho escolhido nos apresenta dois motivos pelos quais Jesus deve ser considerado como o único verdadeiro sacerdote. Primeiro: Cristo cumpre seu ministério no céu, num santuário que não foi construído pelas mãos de homens. Segundo: Jesus ofereceu um só e perfeito sacrifício, não derramou o sangue de animais, mas doou o seu próprio, e, com o seu gesto de amor, destruiu definitivamente o pecado. Cristo é nosso Redentor. Por sua vez o evangelho é colhido dos textos de São Marcos: nos apresenta o julgamento de Jesus sobre os escribas e o gesto generoso de uma viúva. Os escribas eram os que interpretavam a lei de Deus e julgavam nos tribunais os que não a cumpriam. Por causa disso se sentiam superiores aos outros e eram alvo de todos os privilégios. Jesus sempre condenou todo tipo de vaidade. Em contraposição aos escribas e às pessoas que dominam a sociedade, Jesus apresenta um exemplo de religiosidade autêntica: uma pobre viúva que liberta o seu coração dos bens deste mundo e doa tudo o que tem. Ela representa todos aqueles que, também em nossos dias, mesmo não tendo lido uma única página do evangelho, têm uma vivência evangélica. A primeira lição, a mais simples e imediata, é de “humildade”. A segunda lição é da “renúncia”: o cristão não vive apegado ao que tem, mas tem os olhos abertos para enxergar o que o outro precisa e ajuda. A terceira lição é da “entrega total”: a viúva que oferece tudo é uma imagem de Deus, é uma imagem de Jesus Cristo que, como ensina São Paulo, “sendo rico, se fez pobre”. O lugar mais sublime da revelação da face de Deus é o Calvário: é ali que Deus mostrou quem é. O ensinamento de Cristo é: nem sempre ganhar. Às vezes, é necessário não ter para ganhar o que verdadeiramente tem valor. PE. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Nossa Senhora da Conceição

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