A diretoria da Samello reluta, tenta manter a esperança, mas o quadro da empresa é cada vez mais grave e as opções, cada vez mais escassas. Desde 16 de outubro com a produção parada, salários dos funcionários atrasados, dívidas com fornecedores, sem matéria-prima para produzir e sem conseguir investimentos nem empréstimos, o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, não tem qualquer plano imediato nem sabe dizer quando a empresa voltará a fabricar. Tudo o que tem feito é correr de um lado para outro em busca de recursos que possam garantir a retomada da produção.
O presidente não anunciou oficialmente que fechará as portas, mas reconheceu que o destino da Samello está nas mãos dos 283 funcionários da linha de produção e 45 do setor administrativo.
São eles que, na segunda-feira, decidem se continuam e esperam pela busca de recursos ou aceitam a demissão. “Quero que fiquem, mas não posso obrigá-los. A quem preferir, vamos entregar o aviso para que possa ter condições de conseguir outro emprego para se manter”, disse em tom desanimado no final da tarde de ontem. Para quem ficar não há prazo para o pagamento dos salários em atraso e muito menos uma perspectiva para a retomada da produção.
Mesmo com tudo contra, o empresário mantém um fio de esperança para continuar a produzir ao menos 500 pares por dia. Ele chega a fazer planos e disse contar com o apoio de alguns dos seus funcionários. “Vamos usar o único argumento que temos para continuar com pelo menos 50, 100 funcionários no nosso quadro: nossos valores morais”.
Apesar de negar que fechará a fábrica, o cenário é dramático. Há mais de um mês, o empresário tenta vender patrimônios adquiridos ao longo dos anos pela família para sair da crise. Também vem tentando negociar com investidores da capital, mas sem sucesso. “Se você perguntasse agora, às 17 horas, (disse olhando para o relógio) como vamos produzir, diria que não sei. Agora, se vendermos um patrimônio, aí sim haverá uma previsão”.
Sebastião Ronaldo de Oliveira, diretor do Sindicato dos Sapateiros, acredita que dificilmente a empresa conseguirá convencer os funcionários a manter o trabalho. “Eles estão sem receber quatro folhas de pagamentos. É difícil imaginar que continuarão nessa espera. Inclusive, na segunda-feira passada, a única indicação que tínhamos era para que eles trouxessem a carteira e assinassem o aviso indenizado caso a empresa não conseguisse recurso”. Pelo menos até a noite de sexta-feira, a empresa não tinha conseguido.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.