A décima primeira edição do Festival e Encontro da Arte Espírita de Franca (Fecef) chegou com grandes dificuldades, primeiro pela possibilidade de não haver local para realizá-los. Não poderíamos, este ano, ocupar a Universidade de Franca como fizemos nos festivais de 2002 e 2004 e até encontrar o local definitivo não foi fácil. Afinal, apareceu a unidade do COC do Jardim do Éden. Caiu como uma luva: tinha salas em número suficiente para hospedagem, aulas e oficinas temáticas e, ainda melhor, estava cercada de verde com aves, animais, locais de recreação para crianças, cozinha e refeitório.
A movimentação de bastidores foi intensa. O cartaz que levaria o tema ‘Sentimento na Arte: Caminho do Espírito’ a todo o País ficou pronto com o apoio de patrocinadores que compreenderam a seriedade do evento. O Núcleo de Estudos, com dois longos anos de trabalho, organizando o Festival de Inverno. Convites a especialistas em todo o País e confirmações de presença trouxeram mais certeza aos organizadores.
A recepção às delegacões de vinte e cinco cidades definiu momentos inesquecíveis de descontração e alegria: Aparecida de Goiânia, Bebedouro, Brasília, Campinas, Curitiba, Diadema, Florianópolis, Franca, Goiânia, Indaiatuba, Iracemápolis, Itaboraí, Jaboticabal, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Pinheiros, Recife, Rio Claro, Rio de Janeiro, São Bernardo do Campo, São José dos Pinhais, São Carlos, São Paulo. Foram 201 inscritos e 220 participações, apoiados por 41 voluntários que compuseram equipes de organização.
No primeiro dia, 2 de novembro, a abertura e apresentação de texto de Nazareno Tourinho (dramaturgo paraense), premiado no Festival de Araras, denominado ‘Estranha Loucura’, que trata do fenômeno da obsessão e utilidade providencial de mediunidade. A força dramática do texto, cenário todo em preto e iluminação de grande efeito geraram grande impacto na platéia.
No dia 3, aconteceram aulas temáticas do Núcleo de Estudos com intensa participação das delegações, pela manhã. À tarde, oficinas completaram a atividade. À noite, apresentação do primeiro pacote de músicas vencedoras: O Tempo, Estrelas do Céu, Homem Foguete, Um Dia O Mundo Inteiro Será Bem Melhor (todas de Curitiba), Tempo, É Preciso Sentir, Gesto de Amor (de Franca), Pra ser Feliz (Florianópolis), Reparação, Chama de Amor e Eu Venci (de Goiânia).
No dia 4, pela manhã, no Hotel Shelton Inn, dois raros momentos de ilustração e competência: conferências com os doutores João Francisco Duarte Júnior, psicólogo da Universidade de Campinas (Unicamp), com o tema de seu livro “O Sentido dos Sentidos”, com abordagem sobre a crise da modernidade e Noam Alves Martins, graduando em Arquitetura e Urbanismo, enfocando o tema ‘Sentimento na Arte: Caminho do Espírito’, explicando campos da arte em que formas geométricas demonstram traços perispiríticos e oferecendo ensejo de participação a pacientes da Fale (Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista), uma casa de amparo aos portadores de doenças terminais, especialmente o vírus HIV. Oficinas temáticas encerraram o dia.
Na noite do sábado, último dia do evento, apresentaram-se as músicas selecionadas para a grande final: O Dia (Campinas), Quero Aprender e O Que Escolhi (São Bernardo do Campo), Bem Sofrer, Bem Viver (Jaboticabal), Você Pode Mudar Ele (Brasília), Você Está Aqui e Cidadão do Mundo (Brasília).
Os certames foram considerados pelos participantes um dos melhores momentos de teatro e da música contemporâneos no Brasil e dá à cidade uma contribuição inestimável em mostrar que todos somos artistas e temos as possibilidades de utilizar a arte como instrumento terapêutico e na educação da sensibilidade a serviço de um mundo melhor.
VICENTE LÁZARO DE OLIVEIRA BENATE é integrante do Centro Espírita Esperança e Fé
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