Ainda o vôo 1907


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Passado o impacto mais triste que decorreu do desastre aéreo ocorrido com o vôo 1907 no qual 155 vítimas deixaram suas vidas materiais na selva amazônica é hora de analisar outros ângulos sobre o assunto: de quem efetivamente é a culpa? Onde estava Deus que não impediu o acidente? Como vítimas inocentes foram levadas à morte? Segundo a Doutrina Espírita, todo acontecimento tem uma causa justa, porquanto, tudo está sob as Leis de Deus que são justas e sábias. Fica evidente, portanto, que aqueles que perderam a existência material não eram “inocentes” na acepção plena do termo, pois, se o fossem teria ocorrido uma injustiça de Deus, o que seria absurdo de se admitir. Assim sendo, todos os que ali pereceram materialmente, mesmo crianças, tinham sua quota de responsabilidade pelo acontecimento. Como, se eram crianças? Diz-nos o Espiritismo que se a causa não está no presente, situa-se no passado, em outras encarnações, onde nos comprometemos perante a Lei de Deus e criamos a necessidade do regaste de hoje. “A cada um segundo as suas obras”. Isto significa que Deus não pune e nem premia ninguém. Nós é que somos os artífices, os construtores da nossa alegria ou da nossa tristeza. Deus que é supremo amor, dá-nos o livre-arbítrio pelo qual somos responsáveis pela nossa atitude, pelas escolhas que fazemos. E a lei que é sábia e justa, repetimos, reúne num acontecimento trágico aqueles que, por sua vibração magnética, desejam acertar-se com sua própria consciência. Nenhum dos que ali perderam a vida material estava inocente. Todos haviam pedido à Lei Suprema para se quitarem perante si mesmos, passando por uma situação dolorosa, porém altamente redentora. Certa feita, em situação semelhante, quando um jato caiu no aeroporto de Orly, na França, o médium Chico Xavier, que estava em Goiânia (GO), recebeu do poeta Cyro Costa o belíssimo soneto “Justiça Divina” que ilustra muito bem nossa argumentação: A natureza aponta a culpa que começa / Em cidade praiana, a Legião pirata / Desembarca, saqueia, humilha, fere, mata, / Por nada se detém, por mais que se lhe peça. / Quantas vidas ao mar sob golpes à pressa! / Incêndios e orações no horror que se desata, Depois, vinho e prazer, os butins de ouro e prata / E as horas avançando ao tempo que não cessa. / Os séculos se vão, marchando em luz e treva... / Um dia, em mar aéreo, enorme nave leva / Os piratas de outrora e a Justiça Divina... / Surge a morte no ar, a aflição se renova, / Preces, gemidos e ais de corações em prova, / E a natureza apaga a culpa que termina”. (psicografia do médium Francisco Cândido Xavier). FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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