Terça-feira, 10 horas: quatro ciganas ‘trabalhavam’ na Rua Voluntários da Franca. O serviço? Quiromancia: adivinhar o futuro de clientes lendo as linhas da mão. A prática se tornou comum nas principais ruas do Centro, curiosamente em períodos pós-pagamentos, nos primeiros dias úteis do mês.
Elas abordam as pessoas, mas não insistem em fazer a leitura da mão. Mas, se o fazem, é preciso dar um “agrado” às ciganas, de preferência em dinheiro. E quanto maior o agrado, melhor.
Elas não escondem para que vieram. Saem às ruas vestidas a caráter e chamando a atenção de quem passa. Ontem, por exemplo, um grupo de vinte percorria as ruas do centro e tentavam captar “clientes” nas portas das agências bancárias e lojas.
Sem saber que conversavam com um repórter do Comércio, uma cigana, que não revelou o nome, disse que veio de Salvador (BA) com um grupo de sete pessoas. Segundo ela, eles ficariam na cidade o tempo necessário para comprar roupas. Ela não revelou quantas mãos lê por dia e nem quanto cobra.
Na mesma tentativa de ganhar dinheiro, outros ciganos, residentes em Franca, também saem pelo Centro para o trabalho. O ponto principal é a Rua Monsenhor Rosa. Para as mulheres o serviço é adivinhar o futuro e benzer. Já os homens ficam por conta de vender mercadorias, que são as mais diversas. Os ciganos trabalham de segunda-feira a sábado e conseguem clientes tanto para a compra de mercadorias, como para ler as mãos.
Jair Monteiro Martins, tapeceiro, foi um dos clientes do grupo ontem. Curioso, se dispôs a pagar para saber qual seria o destino que a cigana iria prever. “Parei por mera curiosidade, só porque ela me abordou. Sou espírita e nunca fiz isso”, disse. Jair não contou o que a cigana disse e nem quanto ele pagou pela consulta.
Para descobrir o que falam e quanto cobram, a reportagem do Comércio pagou para ver. A primeira pergunta da cigana foi qual seria o valor do agrado, em seguida, o nome. Segurando a mão esquerda e olhando fixo apenas em uma das linhas da mão, ela falou sobre família, amor, dinheiro, porém, tudo muito superficial e coisas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa. Ela recebeu R$ 5 e achou pouco. Insistiu para ganhar mais. “Se der mais, a cigana pode benzer e abrir seus caminhos. O que você dá, pode ter certeza que vai ganhar em dobro”, garantiu.
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