O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, já deu uma sentença em relação ao destino da empresa: se não conseguir recursos até sexta-feira, demite os 283 funcionários que restam e fecha a fábrica. O anúncio foi feito na manhã de ontem durante reunião com o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, e confirmado ao Comércio pelo próprio Miguel, poucas horas depois.
Os funcionários, que esperavam por uma notícia mais otimista, se surpreenderam quando a empresa admitiu não ter dinheiro para pagar os salários que venceram nesta segunda-feira. Somados, os pagamentos em atraso ultrapassam R$ 1,2 milhão.
A empresa fará uma última tentativa de conseguir dinheiro nesta semana. A idéia é vender os eucaliptos plantados em uma fazenda da família, próxima a Cristais Paulista.
O virtual comprador seria o Grupo Votorantim, um dos maiores fabricantes de celulose e papel do Brasil. Os valores da negociação não foram revelados, mas, segundo Miguel, seriam suficientes para pagar os salários em atraso e comprar matéria-prima para cumprir a entrega de pedidos até janeiro. “Agora se não der certo até sexta-feira, não tenho outra alternativa senão mandar todos embora e encerrar as atividades”.
NA EXPECTATIVA
Parados desde o dia 16 de outubro e sem receber quatro folhas de pagamento, os funcionários da linha de produção só voltarão à empresa na manhã de segunda-feira, quando a diretoria da Samello informará se continua a produção ou fecha as portas de vez.
As expectativas quanto a boas notícias já não são as melhores entre os funcionários. Cícera Aparecida Ramos, 42, que trabalha há cinco anos na Samello e, na semana passada, acreditava na recuperação da empresa, ontem tinha outra idéia. “Parece que não vai ser como imaginávamos.”
Paulo Afonso concorda que esta será realmente uma semana decisiva para a sobrevivência da Samello. “A angústia vai persistir por mais esta semana. Esperamos que tudo dê certo, mas os funcionários já chegaram ao seu limite. Tiveram paciência e responsabilidade, tanto que trabalharam por dois dias na semana passada. Se a empresa fechar, a culpa não será dos funcionários.”
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