Estou residindo na cidade de Franca há um ano. Vim de Santos para cá, cidade que acredito ser a melhor do Estado para se viver, com um povo ótimo, bons vizinhos. O que não dá para suportar aqui são os motoristas. Talvez eu me torne persona non grata, mas vamos lá: péssimos motoristas circulam por aqui. Não sei como a maioria destes homens e mulheres conseguiram a CNH.
Se estivessem dirigindo em São Paulo ou Rio de Janeiro já estariam mortos. “Êta pessoalzinho ruim.” Pilotam carros velhos em ruas esburacadas e em velocidade não compatível com as vias; não sabem para que serve farol e lanternas de sinalização; estacionam em qualquer lugar (ponto de ônibus, faixas de segurança, entradas de garagens) e o pior: quando resolvem sair, se esquecem de sinalizar ou de conferir se alguém vem vindo.
Outros pontos gritantes: usam celulares ao volante, não usam cinto de segurança e, pior e mais grave de tudo, conduzem crianças menores de 7 anos nos bancos dianteiros, sem cinto ou cadeiras especiais. As leis, definitivamente, não foram feitas para os grandes pilotos francanos. A falta de educação da grande maioria dos motoristas e o desrespeito para com os pedestres me fazem suspeitar que os francanos ja vêm ao mundo dentro de um carro. Como esta linda cidade não conta com os semáforos necessários e nem com aparelhos de radar fotográficos, os motoristas daqui acreditam que os pedestres são um estorvo para o trânsito. Arrisque-se a atravessar uma das avenidas da cidade e você vai saber sobre o que estou falando. Se é para continuarmos a conviver com os motoristas ruins da cidade, a Prefeitura que construa viadutos, coloque semáforos em todos os cruzamentos, e que o senhor prefeito pare de chutar cones, que também servem para melhorar a segurança dos pedestres. Sou um paulistano que desde 1947 sonhava em vir para cá. Cheguei e me encontro hoje dentro de um grande pesadelo. Está pior que lá.
Pedro Raphael Sabbato
é leitor do Comércio da Franca
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