Concorrência mais que acirrada. Desta forma pode se resumir o mercado dos salões de cabeleireiros instalados na Avenida Abrahão Brickmann, principal corredor comercial da zona norte de Franca. Em um trecho de pouco mais de um quilômetro, são pelo menos 23 profissionais em atividade. Ou seja, um a cada 43 metros. Em alguns pontos, chega-se a encontrar até três salões seguidos como vizinhos de parede. Apesar da quantidade de estabelecimentos, o que não falta é freguesia. A população daquela região, que abrange bairros densamente habitados, como Parque Vicente Leporace, Jardins Tropical, Vera Cruz e Luiza, é estimada em 70 mil pessoas, o que garante, segundo levantamento informal da reportagem, os ganhos brutos que variam entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil. No total, os salões giram cifras mensais em torno de R$ 50 mil. “Mora muita gente por aqui. Tanto que, quando comecei a trabalhar no Leporace, fazia promoção às segundas-feiras, com cortes a R$ 3, para ganhar clientela.
Cheguei a cortar 80 cabelos em um só dia. A fila era gigante. Tive de passar para R$ 4, senão não daria mais conta”, disse Dhanyllo Guimarães.
Os serviços disponibilizados são abrangentes e agradam a todos os gostos e, principalmente, a todos os bolsos. De segunda a quarta-feiras, é comum encontrar vários salões da Abrahão Brickmann com cortes promocionais, a partir de R$ 4. O sapateiro Ricardo Henrique Neves, 22, morador do Tropical, disse que não abre mão da economia. “Não tem profissional sem condições aqui na avenida. Então, corto onde o preço estiver melhor. Já paguei até R$ 1,99 para cortar”, divertiu-se.
Quem não se preocupa tanto com os gastos também tem seu espaço na avenida. A aparadeira Roseane Taveira, 21, é um bom exemplo: já gastou este ano mais de R$ 1 mil em tratamentos capilares. Todos eles no próprio bairro. “Já fiz escova progressiva (R$ 240) em dois salões aqui do bairro e adorei a qualidade e o atendimento. Fico até em dúvida sobre em qual ir. Agora, vou fazer aplique, também aqui. Não tenho nada o que reclamar da qualidade dos serviços e não vejo porque ficar andando”
NOVATOS E VETERANOS
“A avenida é um espaço democrático. Sempre cabe mais um”, brincou a cabeleireira Luciana Donzelli, 29, para definir como foi a recepção dos demais profissionais a ela na Abrahão Brickmann, há três meses. A moça, que mora no Centro e percorre seis quilômetros todos os dias para trabalhar, disse que decidiu montar seu negócio no Leporace pela “fama” do lugar. “A avenida virou um referencial em salões de beleza e até mesmo pessoas de outros bairros vêm para cá porque sabem que terão muitas opções.
Neste caso, a concorrência só traz benefícios a todos”, disse Luciana, que cobra R$ 7 o corte e chega a atender 20 pessoas às sextas e sábados.
Primeiro cabeleireiro do bairro, Marcelo Thomáz disse que a chegada de novos profissionais, como Luciana, não diminui o movimento de seu salão. “Estou aqui há 16 anos e nunca fiquei com a agenda vazia. Acho que hoje a procura é até maior que antigamente. A região é muito populosa e terá espaço sempre para quem souber trabalhar bem”, disse.
O MERCADO LOCAL
O número de profissionais em Franca não é determinado com exatidão, mas pode passar de dois mil cabeleireiros. O Comércio tentou entrar em contato com a entidade que representou os cabeleireiros durante anos e não conseguiu. Onato Hilário, 42, cabeleireiro há 25 anos e ex-professor do Senac, foi presidente da Associação entre 1998 e 2002. Na época, existiam mil profissionais cadastrados na cidade. O atual presidente não foi encontrado. Recados foram deixados em seu salão. Não houve retorno. A cada oito meses, as duas escolas existentes em Franca - a Central Escola e a Silva’s - formam 180 alunos. Os números são corroborados por Juslene Oliveira, promotora de vendas de produtos capilares e que tem a incumbência de oferecer palestras aos cabeleireiros da cidade. Para ela, o número é aceitável considerando atividades desenvolvidas fora de estabelecimentos regularmente instalados. Só nas imediações da Abrahão Brickmann, incluindo os instalados em ruas paralelas, há menos de três quarteirões da avenida, Juslene Oliveira diz existirem 42 salões. “Muitos atendem em casa ou a domicílio”, esclarece.
Colaboraram Sérgio Marques e Luís Henrique Brandão
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.