Festa de Todos os Santos


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Santo significa que não tem nada a ver com o que é imperfeito, fraco e precário. Nesse sentido somente Deus é realmente santo. Somente ele está completamente acima do mundo perecível e efêmero no qual vivemos. Nós todos podemos participar da sua santidade. Cada discípulo de Cristo empreendeu esse caminho de aproximação à santidade de Deus. Santo é todo discípulo, quer esteja ele já com Cristo no céu, quer viva ainda na face da terra. Celebrar “todos os santos e santas de Deus” é tomar consciência do dom que o Pai nos concedeu: em Cristo, Deus tornou-nos membros da sua família, comunicou-nos seu Espírito, sua santidade. A santidade não é uma condição superior que possamos alcançar com nossos esforços ascéticos, não é fruto do nosso heroísmo, é um puro dom de Deus. Só ele pode tornar-nos santos. Os santos não foram pessoas privilegiadas pois não foram poupadas das provações, das vicissitudes ou desventuras da vida. Eles assimilaram os pensamentos, os sentimentos, as escolhas de Deus. Vêem com seus olhos a realidade deste mundo. As provações não os revoltam, não os abatem, não os perturbam. A doença, a dor, a traição para eles não são derrotas nem absurdos, são momentos de amadurecimento e de crescimento. Celebrar todos os santos e santas de Deus nos faz entender que a nossa vida é uma sucessão de saídas e de entradas, guiadas não por um destino cego, mas pelo amor de um Pai. Quando fomos batizados recebemos a vida de Deus que é uma realidade espiritual, misteriosa. O Pai não aguarda o dia da nossa morte para dar-nos essa vida divina, ele no-la dá hoje. Faz parte dos nossos desejos de encontrar Deus, de interrogá-lo, de conhecer seus pensamentos, de descobrir seus planos. E onde ele está? É possível encontrá-lo nas atitudes e pensamentos da nossa vida. Jesus deixa uma excelente proposta para nós: as bem-aventuranças. Bem aventurados os que têm um coração de pobre: são aqueles que decidem não possuir mais nada para si e colocar tudo o que têm à disposição dos outros; os que choram: são aqueles que sofrem injustiças, afrontas, humilhações; os mansos: são os que não se deixam tomar pela fúria, não cultivam sentimentos de ódio e de vingança. Confiam em Deus; os que têm fome e sede de justiça: a justiça divina se mostra na recuperação de quem praticou o mal e se salvou; os misericordiosos: é toda ação em favor de quem tem necessidade da ajuda; os puros de coração: são todos os que têm um coração íntegro; os pacíficos: são aqueles que vivem em total harmonia com Deus, com os outros e consigo mesmo. Buscam sempre a prosperidade, a felicidade e a paz para todos; os perseguidos por causa da justiça: a perseguição não é sinal de derrota, mas de êxito. É um motivo de alegria porque prova que foi feita a escolha certa, aquela segundo a sabedoria de Deus; celebrar todos os santos e santas de Deus é receber um convite de Deus: é necessário ser perseverante na proposta de salvação que nos foi feita. PE. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral

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