À mercê do abandono


| Tempo de leitura: 2 min
Quatro crianças viviam no meio de baratas em ambiente insalubre num apartamento no City Petrópolis. Polícia investiga maus-tratos.
Quatro crianças viviam no meio de baratas em ambiente insalubre num apartamento no City Petrópolis. Polícia investiga maus-tratos.
Um mau cheiro insuportável. Baratas por todos os lados: saindo pela porta, subindo pelas paredes, no banheiro, na cozinha, na pia e até mesmo misturadas a restos de comida dentro das panelas. Sobre o sofá da sala, um cobertor velho exalava cheiro de urina misturado com mofo. Nos cantos do imóvel, montes de roupas sujas. Sob essas condições, quatro crianças de 4, 3, 2 anos e um bebê de oito meses viviam no apartamento 42 do conjunto habitacional do City Petrópolis. Três meninos e uma menina não tomavam banho, não se alimentavam direito e costumavam passar o dia sozinhos. A rotina só mudou na noite de terça-feira, quando a própria avó paterna, a dona de casa Hozana Carvalho Hermes, 52, denunciou ao Conselho Tutelar e à polícia o drama vivido pelos netos. “Meu filho e minha nora usam drogas. Cansei de levar mantimentos e eles trocarem por craque. Quando podia, buscava meus netos para dar banho e comida e eles sempre reclamavam que estavam passando fome”. [FOTO2] Sem condições de assumir as quatro crianças, Hozana denunciou o casal. Desde terça-feira elas estão sob os cuidados de um abrigo escolhido pelo Conselho Tutelar. “O apartamento estava imundo, com lixos e entulhos dentro do quarto. As baratas voavam sobre as crianças enquanto elas dormiam. Nada lá é aproveitável, não conseguiríamos salvar roupas, móveis, louças...nada”, disse a conselheira tutelar Eli Vitoriano Gomes, que esteve no imóvel no dia 1º. Segundo ela, os meninos disseram não apanhar dos pais. “Uma psicóloga já conversou com eles, que contaram passar fome e ver os pais brigarem demais.” Os garotos continuarão no abrigo. “Só devolveremos as crianças quando a família se organizar, pois elas não podem voltar para aquele local.” A polícia investigará o caso para saber se houve maus tratos e abandono de incapaz. DESTINO A mãe, a doméstica Isabel Cristina de Paula, 24, que sem explicações, saiu de casa há duas semanas com o bebê de oito meses, não foi localizada. Ela será intimada pela polícia para prestar esclarecimentos sobre as más condições em que viviam seus filhos. O pai, o sapateiro desempregado Rubens Nazareno Carvalho Hermes, 31, ficou com as crianças desde que a mãe os abandonou. Ontem, quando a reportagem chegou, ele estava fazendo sua refeição normalmente em cima da cama e, apesar do fedor do ambiente, disse não sentir cheiro desagradável nenhum. Questionado sobre as sujeiras e a infestação de baratas em sua casa, minimizou a gravidade do problema. “As baratas aparecem mais à noite, por causa do calor e eu não tenho condições para comprar veneno e acabar com elas. Eu já dei uma limpada em casa, mais não tenho mais condições de ficar limpando”, disse ele que também será ouvido na delegacia.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários