Há 50 anos


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Era o ano da graça de 1956, mais especificamente, no dia 14 de dezembro, e 45 meninas se aprontavam nas cabeleireiras, se perfumavam e se vestiam em seus tafetás e musselines para o seu grande baile de formatura na AEC. Festa, aliás, precedida por Missa em Ação de Graças na capela do colégio em que estudaram e pela solenidade de entrega dos diplomas, no antigo Cine Odeon. Na diplomação, todas compareceriam com os seus uniformes de gala: blusa de manga longa em seda, meias, luvas brancas, gravata, chapéu de feltro, saia plissada azul marinho e sapatos lustrosamente pretos. Essas garotas eram as “professorandas”, isto é, habilitadas ao magistério, daquele ano, no Curso Normal do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde hoje funciona a Unesp. A solenidade, que teve por paraninfo o Dr. Antônio Baldijão Seixas, e homenageou o inspetor federal Luiz Coelho, apresentou o próprio hino composto regido por Lúcia Ceraso, entoado em coro pelas formandas, será relembrada agora, 50 anos depois, com a reunião da turma numa bonita festa a ser realizada no dia 23 de novembro, num almoço na Fazenda Belo Horizonte, de propriedade de Gizela Flávia M. Spinelli. A festa também será precedida por missa, às 11 horas, na Catedral Nossa Senhora da Conceição. Embora a turma tenha se reunido pela primeira vez ao completar os 40 anos de formatura, numa festa no salão do Edifício Panorama, a empolgação de agora parece maior. “Tenho muito entusiasmo em revê-las, a expectativa é grande. Estamos bem, 50 anos depois. Quero reencontrar as ‘meninas’, ouvir as suas histórias, compartilhar lembranças”, diz Maria N. Conceição, uma das formandas. “É o nosso Jubileu de Ouro. Escrevi uma mensagem a todas as colegas, fiz cópias de nossos convites de formatura, imprimi uma lista com os nomes e endereços de todas, com exceção de uma, a querida Ruth Engrácia Garcia, infelizmente falecida. Já nos reunimos para ensaiar o hino que cantamos naquele dia bonito e entoá-lo nesse reencontro. Queremos relembrar nossa longa história, nosso companheirismo e saudade daquele tempo. A vida passa rápido, é curta, e as marcas que ela nos deixa são implacáveis. Vamos valorizá-la, vivendo bem cada minuto que nos resta com carinho, ternura”, conta Clarecinda Alves, a Clara, de 71 anos, emocionada, voz embargada, uma das maiores entusiastas e a organizadora dessa comemoração. Clara, que forneceu a maior parte das informações para esta matéria, impressiona pelo seu vigor e pela memória prodigiosa: lembra nomes e sobrenomes de todas as colegas. Dá notícias dos locais, fora de Franca, onde várias delas atualmente vivem. Diz que muitas delas, como foi o seu caso, seguiram a docência, e ingressaram posteriormente no curso de Pedagogia. “Mas temos entre nós dentista, doutora em Psicologia, bióloga, entre outras belas profissões”, comenta. Maria Alves Pinheiro, conhecida por Zita, e que, dos 18 aos 44 anos lecionou em escolas da cidade, lembra o período de normalista com muito afeto. “Fui interna por oito anos no Colégio Nossa Senhora de Lourdes. São recordações muito belas que trago daquele período em que fui educada pelas freiras. As irmãs eram rígidas sem deixar de ser carinhosas. Foi um tempo que nos deu estrutura moral e de caráter. Uma estrutura de fé, uma formação sólida. O Colégio nos deixou esse precioso legado”, conta Zita. SOLIDEZ NA FORMAÇÃO E NOSTALGIA De acordo com as entrevistadas, fazendo um paralelo entre a Educação daquela época com a que é oferecida hoje, o currículo e a forma de ensinar eram mais sólidos. “Aprendíamos boas maneiras, tínhamos o ensino de latim, francês, inglês, música, canto orfeônico, religião. As alunas saíam muito bem preparadas. Vejo hoje os cadernos de minhas netas sem correção pelos professores, uma permissividade excessiva. O mundo era diferente, mais disciplinado”, enumera Clara. Se esperam por um novo reencontro daqui a dez anos? Certamente. Com o mesmo entusiasmo das normalistas que mantêm vivas dentro de si.

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