Finados, dia de lembrança e fé


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É uma antiqüíssima tradição de todas as religiões rezar por todos os fiéis falecidos. Aos familiares que partiram dedica-se um dia especial de lembrança, 2 de novembro, convictos de que o ser humano aqui está de passagem. Não é só coisa santa rezar pelos falecidos. O Dia de Finados é uma oportunidade para todos refletirem sobre o significado da morte: ”Bem-aventurado o homem que, quando o Senhor vier buscá-lo, estiver preparado”. O ditado popular nos alerta de que a transitoriedade da vida é a “única certeza” que carregamos. E nada mais correto do que o alerta da Igreja: “Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó voltarás”. No Dia de Finados, não festejamos a morte, mas a vida após a morte, a ressurreição que Cristo nos conquistou com sua morte e Ressurreição. O fato de os cristãos rezarem pelos mortos e enfeitarem os seus túmulos significa que acreditam na ressurreição dos mortos e na vida eterna; para quem crê em Cristo, “a vida não é tirada com a morte, mas transformada”. A todos os que morreram “no sinal da fé”, a Igreja reserva um lugar importante na Liturgia: há uma lembrança diária na Missa, com o Memento (= lembrança) dos mortos, e no Ofício divino. No dia de Finados, a Igreja autoriza que cada sacerdote possa celebrar três Missas em sufrágio das almas dos falecidos. Essa foi uma concessão do Papa Bento XV em 1915, quando, durante a Primeira Guerra Mundial, julgou oportuno estender a toda Igreja este privilégio de que gozavam a Espanha, Portugal e a América Latina desde o século XVIII. Com a lembrança dos falecidos, a Igreja quer reafirmar a grande verdade, baseada na Revelação: a existência da Igreja triunfante no Céu; padecente no Purgatório e a militante, na terra. O Purgatório é o estado intermediário, mas temporário, “onde o espírito humano se purifica e se torna apto ao céu”. Os primeiros vestígios de uma comemoração coletiva de todos os fiéis defuntos são encontrados em Sevilha (Espanha) no século VII e em Fulda (Alemanha) no século IX. A comemoração oficial dos falecidos é devida ao abade de Cluny, santo Odilon, em 998, mas, muito antes, em toda parte se celebrava a festa de todos os santos e o dia seguinte era dedicado à memória dos fiéis falecidos. Mas o fato de milhares de mosteiros beneditinos dependerem de Cluny favoreceu a ampla difusão da comemoração. Depois, em Roma, em 1311, foi sancionada oficialmente a memória dos falecidos. A Tradição da Igreja está repleta de ensinamentos sobre a oração pelos mortos. São João Crisóstomo (349-407), bispo e doutor da Igreja, já no século IV, recomendava orar pelos falecidos. Ele disse que os Apóstolos “instituíram a oração pelos mortos e esta lhes presta grande auxílio e real utilidade”. Tertuliano, bispo de Cartago, falecido em 220, diz que a esposa “roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágio todos os dias de aniversários de sua morte”. Tertuliano atesta o uso de sufrágios na liturgia oficial de Cartago, que era um dos principais centros do cristianismo no século III: “Durante a morte e o sepultamento de um fiel, este fora beneficiado com a oração do sacerdote da Igreja”, afirma. Desde os primeiros séculos, a Igreja reza pelos falecidos, pois o segundo livro de Macabeus diz que: “É coisa santa e salutar lembrar-se de orar pelos defuntos, para que fiquem livres de seus pecados”. É o que fazemos neste Dia de Finados. FELIPE AQUINO é teólogo e apresentador de TV

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