Não é difícil ver uma pessoa bem sucedida em todos os aspectos que interessam às pessoas, suspirando e lamentando. Isso nos faz refletir sobre o que consideramos sucesso e felicidade. Por que não somos felizes quando conseguimos tudo o que queremos? Por que sempre há uma sensação de vazio? A quem enganamos? A nós mesmos, certamente.
Será difícil perceber o que falta à nossa vida, o que preencheria o imenso vazio que só se faz aumentar? A primeira reação é ignorar o problema, como se isso bastasse. Depois, calamo-nos, quando deveríamos conversar.
Se um não quer, dois não fazem, diz o dito. Desse modo, basta um não querer para não haver uma discussão. Também para o diálogo, se somente um deseja e busca, certamente não haverá. E não há nada melhor que dialogar, expor seus pensamentos, seus desejos, suas esperanças e sonhos, o que quer e espera do outro.
Não dá para acreditar que não haja solução, somente a morte não tem jeito. E com a chegada do Dia dos Mortos, o Finados, nada melhor que lembrar que não sabemos a nossa hora, nem a daqueles que amamos. Portanto, reconciliar, aproximar, entender-se é o melhor que há para fazer, pois ao chegar a hora, melhor ter aproveitado cada momento junto dos entes queridos.
E também sempre há algo que queremos de quem amamos: saber de suas atividades atuais, o que está construindo, o que espera. Queremos compartilhar um pouco de sua vida, desfrutar sua companhia, dividir seu sofrimento, repartir a alegria.
E nada como a certeza da morte para nos obrigar a refletir: incrível como conseguimos transformar nossos relacionamentos em encontros alegres mas superficiais, que relaxam mas não aproximam. Enfim, descartáveis.
Vivemos uma comunidade do faz de conta, do medo de se expor. Queremos parecer o que não somos. Falamos para agradar quando deveríamos falar para melhorar. É uma crise de identidade moral, falta-nos uma qualidade essencial: a sinceridade. A começar por nós mesmos. Conseguimos deixar de ser autênticos.
Creio, porém, que a morte é geradora de unanimidade quanto ao motivo de nossa existência: o amor. Amar a vida é viver o amor. Não há vida mais triste e miserável que a sem amor. Precisamos da companhia de quem nos quer ver melhores e mais felizes, em suma, de quem nos ama de verdade.
E são os jovens que precisam ser orientados para construir uma vida autêntica e feliz, tarefa ingrata para pais, professores e sacerdotes. Porque se eles não forem orientados, será na maturidade que reavaliarão suas vidas e verão que cometeram muitos erros, erros cuja solução é difícil, como profissão, casamento, educação dos filhos.
De nada vale pensar como seria diferente se tivesse feito isso ou aquilo, se não tivesse medo, se arriscasse mais. Suspiro! Suspiro! Chorar não adianta. Resolve é procurar uma solução. E enquanto houver vida, há esperança, basta ter fortaleza, paciência e perseverança.
Não custa usar o dia dos mortos para refletir um pouco e reavaliar atitudes. Colhe-se o que se planta. Quem semeia amor colhe felicidade! Mãos no arado!
MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano
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