Na rua, no carro, ou dentro de casa. Ninguém mais, em lugar nenhum, está seguro em Franca. Durante o dia ou à noite, bandidos desafiam a polícia e atacam por toda a cidade. Os efeitos da violência que as vítimas sentem na pele acabam de ser constatados pela própria Secretaria de Segurança Pública do Estado. Balanço oficial divulgado ontem mostra que 598 francanos foram roubados nos nove primeiros meses do ano. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 8,1%.
Na média, são dois roubos por dia, mas no dia 17 de outubro, foram quatro assaltos em uma hora.
A mais recente integrante desta triste estatística é um secretária de 47 anos, moradora da Vila Totoli. Na noite de terça-feira, ela viveu momentos de terror nas mãos de criminosos.
Ainda estava cedo. Eram apenas 20h30 e a rua dela estava movimentada. Após chegar em casa e tomar um lanche, ela ouviu latidos de cães. “Ao abrir a porta para ver o que era vi três homens armados no meu quintal”. A secretária nunca mais irá se esquecer do que aconteceu nos 90 minutos seguintes.
Os assaltantes empurraram a mulher para dentro e começaram a revirar a casa. A todo o momento perguntavam pelo cofre. Enquanto procuravam objetos de valor, submetiam a vítima à torturas psicológicas. Um dos marginais retirou projéteis do bolso e carregou a arma na frente dela, apontando o cano para sua cabeça. Imaginaram que ela falava ao telefone, arrebentaram os fios e enfiaram um sabonete em sua boca. Perguntaram se tinha gosto de carne.
Após bagunçarem toda a casa, trancaram a secretária no corredor e roubaram tudo o que encontraram pela frente: duas TVs (sendo uma de 29 polegadas), dois DVDs, celulares, relógios, bonecas, caixas de ferramentas, um boné importado e até um berrante. Colocaram todos os objetos no carro da vítima, um Gol preto, e fugiram.
Ao perceber que os marginais tinham ido embora, a mulher conseguiu ligar o telefone e chamou a polícia. Também acionou a empresa de segurança que monitora sua residência. Foi quando conseguiu sair do corredor. “Foi horrível, uma situação muito difícil. Nunca imaginei que fosse passar por isso. O nosso bairro é até tranqüilo”.
No início da madrugada de ontem, o carro foi encontrado na Rua Mato Grosso, cruzamento com a Avenida Ismael Alonso y Alonso. O veículo só parou porque foi travado pelo sistema de alarme. A ocorrência é investigada pelo 3º DP e pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais). A polícia ainda não tem pistas.
“Os casos de roubo nos preocupam muito. Estamos trabalhando duro e montamos uma equipe especialmente para cuidar dessas ocorrências. Não sossegaremos enquanto não identificarmos e prendermos os autores”, concluiu o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
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