A dona de casa ECSA, 30, que conquistou na Justiça o direito de interromper sua gravidez de sete meses, não se apresentou ontem ao Hospital Unimed para ser submetida à cesariana de retirada do feto que é anencefálico (sem cérebro). Segundo pessoas próximas a ECSA, ela estaria muito abalada e assustada com a repercussão que o caso ganhou e teria saído de Franca para “refrescar um pouco a cabeça”.
O diretor-clínico do hospital, Luiz Fernando Peixe, disse que o procedimento não tem data específica para ser realizado e que isso depende, principalmente, da manifestação de ECSA. “Não existe nada marcado. O médico responsável pela moça disse que só será feita a cirurgia quando todos os detalhes estiverem acertados entre ele, a paciente e o hospital. Não precisa haver correria para isso”, disse.
A posição de Peixe foi ratificada pelo juiz Paulo Sérgio Jorge Filho, que deu a sentença favorável à interrupção da gestação. O magistrado declarou que o fato do Ministério Público não ter apresentado contestação dá liberdade para que a dona de casa resolva quando será operada. “Não há determinação de datas. O Judiciário julgou a questão e cumpriu com a sua parte. Agora, a decisão é exclusivamente dela. Inclusive, se assim o quiser, pode até voltar atrás.”
Jorge Filho, que pela primeira vez falou sobre o caso, disse que sua decisão foi tomada para minimizar o sofrimento da dona de casa. “O que entendi é que não era uma gravidez viável. Tanto que 65% dos anencefálicos morrem antes mesmo do fim da gestação. Minha decisão visou a evitar mais abalos psicológicos.”
COMOÇÃO
O Comércio realizou, ontem, por meio de seu site, uma enquete para que os internautas opinassem sobre a interrupção de gestação de fetos anencefálicos. Em poucas horas, mais de cem pessoas se manifestaram, com ampla maioria (73%) se posicionando favorável ao aborto. Somente 21% disseram ser contra e 6% não souberam responder.
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