A dança dos números


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A cobaia chamada Brasil possui políticos que se acham antes, profissionais de laboratório do que representantes das verdadeiras necessidades do povo. Se o país estivesse bem, grande parte da população não precisaria pelejar para obter bolsa-família, pois sabemos que os R$15 a R$90 pagos pelo governo alimentam uma família, porém não fazem mais do que isso. Projetos de desenvolvimento não se realizam em curto prazo a não ser que o serviço feito às pressas exiba uma boa fachada. O economista Celso Furtado diz que, na civilização industrial, o futuro está enormemente condicionado pelas decisões que já foram tomadas no passado ou que estão sendo tomadas no presente. Conforme a exploração econômica avança, as correções de rumo tornam-se mais lentas ou exigem maior esforço. A idéia de que os países subdesenvolvidos poderão desenvolver-se tanto quanto os ricos ou os da dianteira é um equívoco e um mito. Furtado fala seguramente que subdesenvolvimento nada tem a ver com a idade de uma sociedade ou de um país, o que desmente a idéia de que ‘é questão de tempo’. Nas eleições, cada segmento da sociedade esteve preocupado com seus próprios interesses em vez de pensar em melhorias de longo prazo para a nação. O intelectual Hélio Jaguaribe afirmou que o país precisaria de, pelo menos, vinte anos de boa administração para iniciar a colheita de condições e dados satisfatórios. Contudo, pessoas votaram em candidatos só porque falaram bonito, outros porque aumentariam a bolsa-família, e outros porque elaboraram uma retórica anti-corrupção descuidando da sujeira que já pode ter sido levantada na própria casa. O que se vê é uma dança dos números, promessas de que o crescimento econômico vai gerar emprego e renda sem dizer quem conduzirá este processo, se serão instituições nacionais e estrangeiras que seguem a lógica da rentabilidade ou o governo, que, embora esteja inchado de Ministérios e cheio de funcionários que mal cumprem a carga mínima de trabalho, deveria ser o principal responsável pela garantia e melhora da qualidade de vida da população nacional. O Estado, por não ter fins lucrativos, deveria assegurar todos os direitos e deveres previstos na Constituição Federal de 1988. E será que o faz? O governo aumenta impostos ali, corta gastos aqui. Enquanto a saúde vai mal, a proteção aos banqueiros vai bem; enquanto se promete melhorias na educação, a universidade pública em São Paulo aumenta vagas e inicia aulas antes de ter professores contratados e infra-estrutura própria. O Brasil tem sido um campo de experimentos. BRUNO PERON LOUREIRO é estudante

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