Médica diz que decisão do juiz foi correta


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A neurologista Thaís Mourão, 29, disse, ontem, que a decisão do Judiciário francano foi correta. Segundo ela, um feto anencefálico não tem grande sobrevida após o nascimento e que a prioridade, nesses casos, tem de ser a preservação da vida da mãe. “Este tipo de anormalidade não dá chances de sobrevivência ao feto. A criança pode ficar viva, no máximo, algumas horas. Levar adiante uma situação destas é colocar a mãe em um risco desnessário.” Mourão disse que o problema do feto, em si, não ocasiona à gestante risco direto de morte, mas ressaltou que toda gravidez pode trazer complicações. “Há várias intercorrências que podem acontecer no momento do parto, ainda mais se a mulher tiver alguma predisposição a ter problemas cardíacos ou hipertensão. Para que correr o risco de ter uma eclampsia, por exemplo, para manter uma gravidez inviável? Acho totalmente desnecessário.” A especialista disse, ainda, que se estivesse no lugar dos médicos que depuseram favoráveis à interrupção da gestação tomaria a mesma atitude. “Sem dúvida que agiram certo. Enquanto médicos, temos de preservar sempre o bem maior, que é a vida. Se a criança não tem chances de sobrevivência, eu não arriscaria que a moça também pudesse morrer por conta desta gravidez. A não ser que ela própria quisesse, por motivos religiosos ou outros, o que não é o caso.” Há três anos clinicando em Franca, no Hospital Unimed, a médica afirmou que nunca chegou a acompanhar um caso semelhante e que a indicidência de anencefalia é muito pequena em relação ao número de crianças que nascem saudáveis. “Não sei precisar, mas é uma para milhares que se descobre ser portadora deste problema. É uma doença muito rara e que, infelizmente, ainda não tem cura.”

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