Das ladeiras de Minas Gerais para as Três Colinas


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Foi nas ladeiras de Ouro Preto (MG), com seus casarões históricos, que quatro amigos resolveram dar asas a uma paixão: o samba. Estudantes da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) se conheceram na tranqüilidade do clima mineiro e, aos poucos, consolidaram o que hoje é o grupo Samba na Ladeira. Gisele Couto, Chico Bastos, Iuri Bittar e Sacha Bittar tocam samba e choro. E da melhor qualidade. Os dois últimos são nascidos e criados em Franca. Saíram daqui apenas para estudar. Iuri, aliás, já está de volta à terra natal. Formado em música, quer dar aulas, conhecer os músicos da cidade e, quem sabe, formar um grupo de samba no berço da música sertaneja. Mas enquanto isso não acontece, ele trouxe os companheiros do Samba Na Ladeira para uma temporada em Franca. Hoje, 1º de novembro, e amanhã, eles tocam no Boteco do Lu. No repertório, o melhor do samba de raiz: Chico Buarque, Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Noel Rosa, Assis Valente, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, entre outros, ganham uma bela e delicada interpretação na voz de Gisele Couto, que não fica a dever nada para grandes cantoras como Teresa Cristina, Luciana Souza e Joyce. Nos instrumentos, Chico Bastos, Iuri e Sacha Bittar fazem uma bela combinação com o violão, cavaquinho, flauta e pandeiro. Grupo formado dentro da universidade, o Samba na Ladeira tem sim a pretensão de crescer e se profissionalizar. Já tocaram no Carnaval de Ouro Preto, em várias das cidades históricas de Minas, em Belo Horizonte e até no bar Democráticos, que fica no bairro carioca onde o samba é mais pulsante: a Lapa. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que uma carreira musical demanda, os amigos não desistem. “O mais difícil é que esse tipo de música não tem público em todo lugar. Em Franca, por exemplo, temos que conquistar as pessoas”, diz Iuri. Como tocar é antes de tudo um prazer, não será nada difícil tocar muitas vezes até o público se sentir seduzido e contagiado pela batida do samba. Atualmente, cada integrante do grupo mora em um lugar. Iuri está em Franca; Sacha continua em Ouro Preto, onde estuda Letras; Gisele dá aulas em Mariana; e Chico, em Belo Horizonte. Ainda assim, eles sempre combinam umas rodas de samba para não perder a mão. “Sempre que podemos, gostamos de tocar juntos”, diz Iuri. E o grupo não se limita apenas a interpretar músicas dos compositores mais tradicionais do nosso samba. Eles também arriscam composições próprias, o que é muito bom para a música brasileira. Juntam-se, assim, a novos nomes do samba e choro que têm surgido no País, principalmente no Rio de Janeiro, como Teresa Cristina e grupo Semente, Casuarina, Tira Poeira, Verônica Ferriani, entre outros. Nelson Sargento tinha razão quando disse que o “samba agoniza mas não morre/alguém sempre te socorre/Antes do suspiro derradeiro”. A cada dia surge um grupo jovem, com novo fôlego para o mesmo bom e velho samba de raiz.

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