Incra já quis desapropriar fazenda no passado


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O grupo Samello que agora busca vender a fazenda Sudamata, de aproximadamente 11 mil hectares para recapitalizar a fábrica, e pagar dívidas com funcionários e fornecedores, já teve a oportunidade de vender a propriedade para o Incra assentar famílias de trabalhadores rurais sem-terra. A fazenda localizada em Tangará da Serra (MT) chegou a ser invadida pelo MST (Movimento dos Sem-Terras). Contudo, os advogados do grupo conseguiram impedir que o Incra avaliasse a propriedade e a utilizasse para a reforma agrária em 2003, o que renderia uma alta indenização ao grupo, uma vez que a fazenda possui muitas benfeitorias. Os defensores do grupo Samello, Diamantino Silva Filho, Eduardo Diamantino Bonfim e Silva e Frederico Diamantino Bonfim e Silva, do escritório Diamantino Advogados Associados, para garantir o ganho da causa, não se limitaram a alegar a produtividade da terra, mas contaram com a ajuda da Funai para rechaçar de vez as pretensões do Incra. Os advogados, auxiliados por farta documentação do instituto indigenista alegaram que o uso daquela terra para o desenvolvimento da agricultura familiar tiraria dos índios Paresí, cuja reserva é vizinha da propriedade, a exclusividade de exploração do Rio Formoso (que divide as duas áreas) o que geraria conflitos entre assentados e os índios que praticam a pesca e a caça nas margens naquele rio que seria usado na irrigação. Os irmãos Diamantino venceram a causa. O precedente impede que o grupo Samello agora consiga um acordo com o Incra e dificulta a venda para quem queira praticar a agricultura em vez da pecuária naquela fazenda.

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