Samello demite mais de cem funcionários


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Funcionários da Samello foram até a empresa na manhã de ontem, mas não entraram na linha de produção
Funcionários da Samello foram até a empresa na manhã de ontem, mas não entraram na linha de produção
Após 15 dias de portas fechadas, a Samello deve retomar a produção hoje, mas com 117 funcionários a menos. A empresa, que não tem previsão de pagar os salários atrasados, prometeu ontem fazer o pagamento do próximo dia 5 para quem voltar às atividades hoje. Mas, sem receber desde o dia 20 de setembro, quem não aceitou a proposta preferiu ser demitido. Paulo Afonso Ribeiro, presidente do sindicato dos sapateiros, explicou o plano aos funcionários durante assembléia na manhã de ontem. Eles tinham três opções: voltar para casa e esperar que os pagamentos em atraso sejam efetuados; entrar para trabalhar sem previsão de pagamento ou ser demitido. Do total, 29% dos 400 funcionários do setor de produção da empresa já escolheram a demissão. A empresa manteve os pagamentos atrasados vinculados à venda de um terreno avaliado entre R$ 3 e 4 milhões. Só quando a área for vendida, os trabalhadores receberão. A proposta não agradou. Quem participou da reunião preferiu ir embora e, talvez, voltar hoje. Apenas o setor administrativo funcionou ontem. Miguel Sábio de Mello Neto, presidente da Samello, acredita que boa parte dos funcionários restantes volte ao trabalho. Segundo ele, a empresa tem pedidos a entregar e a retomada da produção precisa ser urgente. “Precisamos compor um quadro de funcionários para terminar os calçados que começamos. Mas respeitamos aqueles que optarem por não vir”. A diretoria da empresa garantiu que quem mudar de idéia poderá ser readmitido. Miguel afirmou que a intenção é dar liberdade para que os funcionários façam sua escolha, ressaltando que o aviso prévio pode ser suspenso a qualquer momento. Ainda hoje, Miguel Mello estará em São Paulo, onde fará contatos com agentes financeiros na tentativa de obter recursos para o pagamento dos funcionários e compra de matéria-prima para manter a produção.

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