Pela cura da alma


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A advogada Silvana de Andrade Prado medita no jardim do Grupo Apoiar: atividade é uma das dicas para curar problemas emocionais
A advogada Silvana de Andrade Prado medita no jardim do Grupo Apoiar: atividade é uma das dicas para curar problemas emocionais
A advogada Silvana de Andrade Prado, 48, com ajuda de 12 voluntários, mantém um trabalho inédito em Franca há seis anos para ajudar na cura de doenças emocionais. O objetivo do Grupo de Auto-Ajuda Apoiar é ensinar homens, mulheres e também crianças a lidar com a ansiedade e a resolver problemas pessoais de maneira natural. O interesse pelo atendimento é grande. Entre 600 e 700 pessoas passam pela entidade todos os meses para se tratar de crises do transtorno de pânico, fobia social, ansiedade, depressão, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e estresse. São mulheres entre 25 e 40 anos, em sua maioria, mas há homens também. “Antes o Apoiar era considerado lugar de louco. Hoje esse estigma está sendo quebrado”, disse a presidente, Silvana. Ela fundou a entidade em fevereiro de 2001, depois de ter se curado da síndrome do pânico. Silvana perdeu dois filhos, um aos 5 e outro aos 8 meses de vida com problemas nos rins. Aos 32 anos, abalada com as perdas, passou a ter as crises. Na época, morava nos EUA com o ex-marido. “Na hora do pânico parecia que meus ossos estavam derretendo.” Somente após três meses descobriu o que tinha ao ler sobre a doença numa revista. A partir daí, a advogada passou a freqüentar bibliotecas e a pesquisar na internet para saber como se curar. “Meu marido achava que era fingimento. Não tinha parentes lá e tive de me virar. Li muito e fazia tudo que indicavam: caminhada, meditação... E sarei, sem remédios.” Ao retornar ao Brasil, foi procurada por muitas pessoas para saber de sua história e pedir auxílio. As reuniões começaram com 20 integrantes, mas a procura aumentou e ela, com auxílio do designer gráfico Sérgio Ribeiro, criou o Apoiar. Com base na literatura que consultou no exterior, Silvana criou os sete passos para a recuperação (veja quadro) e escreveu o livro O Prisioneiro do Medo, também usado por quem quer se tratar. “São medidas simples, mas que ao ser seguidas mudam a vida das pessoas. Antes de segui-las, porém, aconselhamos a quem chega ao Apoiar a passar por um médico para saber se tem algum problema físico. A (disfunção da) tireóide, por exemplo, é uma das doenças com sensações parecidas às da depressão e do pânico.” Além dos passos, há as reuniões semanais da ONG. “O Apoiar não é um local de lamentações. Os encontros com os voluntários servem para avaliar se as metas foram cumpridas e ajudar a pessoa que não as atingiram.” Se houver necessidade, os usuários são encaminhados para acompanhamento com psicólogos, psiquiatra, sessões de massagem, acupuntura, reiki e ioga. Os preços cobrados são mais baixos que os de mercado e caso a pessoa não possa pagar, o atendimento é gratuito. CONTINUAR: UM DESAFIO O Grupo de Auto-Ajuda Apoiar funciona em um prédio alugado na Cidade Nova. A manutenção do local, cerca de R$ 2 mil, é feita com a venda de publicidade do jornal Mente Livre, de distribuição mensal gratuita. Os participantes também contribuem. Neste ano, pela primeira vez, a entidade conseguiu ajuda de R$ 7 mil (anual) da Prefeitura, que estuda a doação de um terreno para a construção de uma sede. Hoje Silvana se divide entre a advocacia e as funções do Apoiar e quer dar continuidade ao trabalho. “Os problemas de ansiedade, pânico e depressão estão muito comuns. As pessoas andam pressionadas demais, em casa, no trabalho; não há diálogo. Para mim, poder ajudar é um prazer.”

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