A situação das 32 famílias que vivem em barracos improvisados e em condições sub-humanas não mudará, pelo menos, até 2007. A Prefeitura não cumpriu um acordo feito há dois anos e até o momento apenas se limitou a prometer a construção de 170 casas populares para o ano que vem. Destas, apenas 10 seriam para as famílias que vivem em áreas de preservação ambiental. Os imóveis devem ser construídos com verba da própria Prefeitura e o restante por meio de um convênio assinado com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Não há prazo para o início das obras.
A Prohab (Habitação Popular de Franca) assinou no final de 2005 um acordo com a ONG (Organização Não-Governamental) Habitat para a Humanidade, que previa a construção de casas para as 32 famílias. Em meio a trocas de acusações e responsabilidades, o acordo não saiu do papel. Enquanto nada é definido as famílias continuam vivendo nas mesmas condições.
Na semana passada, a reportagem do Comércio visitou sete dessas famílias. São cerca de 11 crianças de 18 dias a 13 anos, que vivem em barracos improvisados de lona e pedaços de madeira, sem água, energia e comida. “Gostaria que meus filhos tivessem um futuro melhor do que o meu. Da forma que está, o futuro deles será bem pior que o meu”, disse Maria de Fátima de Lima, 40 anos. Há 10 anos, ela mora com o marido e seus dois filhos em um barraco de madeira às margens da Avenida Adhemar Polo Filho.
De um lado a Prefeitura afirma que a Habitat não cumpriu os prazos pré-estabelecidos. “Disseram que tinham verbas para a construção e somente em maio deste ano nos informaram que não tinham mais o dinheiro”, disse o diretor-superintendente da Prohab (Habitação Popular de Franca), Vanderlei Tristão.
Do outro, a Habitat se defende. “Antes tínhamos verbas próprias. No meio deste ano a diretoria, cuja sede fica em Recife, mudou e assinou um convênio com a Caixa Econômica Federal (CEF). Fui pego de surpresa”, explicou o agente administrativo da ONG, Luis Carlos Mendes.
O acordo previa que a Prefeitura doaria o terreno e a ONG construiria em sistema de mutirão as casas, no valor unitário de R$ 11 mil. Os moradores pagariam somente o material de construção. “A parceria com a Prohab existe desde 2001. Mas desta vez eles não cumpriram e dessa forma revogamos o decreto que autoriza a doação do terreno e voltamos ao projeto original, que previa a construção de 10 casas para as famílias que moram em áreas de preservação ambiental”, disse Tristão.
Mendes ressaltou que a ONG é uma instituição séria que cuida do bem dos menos favorecidos. “A parceria com a Prefeitura é vital para a manutenção desse projeto em Franca”, explicou.
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