A Polícia Civil está fechando o cerco contra traficantes que atuam vendendo drogas em festas “rave” realizadas em chácaras de Franca e cidades da região. Os principais fornecedores estão sendo identificados e terão a prisão solicitada à Justiça.
Diligências realizadas pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) revelam uma explosão no consumo de ecstasy e LSD nesse tipo de evento. A demanda é tão intensa que chega a faltar a droga no mercado.
Os detalhes do submundo do tráfico em baladas podem ser comprovados por recente escuta telefônica realizada pela Dise com autorização judicial. Feito há dois meses, o grampo flagrou uma traficante francana de 27 anos tentando negociar a compra de uma carga de ecstasy junto a um fornecedor de Ribeirão Preto. Durante o diálogo de quatro minutos, a mulher falou sobre um evento que seria realizado em Franca e da necessidade de adquirir mais drogas para distribuir aos baladeiros viciados. “Meu querido...(risos), sem palavras, que loucura...
(risos). Deixa eu falar, vai ter uma festa aqui no fundo da cidade, chama “paiol”, no meio do mato. Não tenho mais nenhuma”.
O fornecedor perguntou se acabou todo o estoque de ecstasy que ela tinha. A resposta revela que há clientes vips entre os consumidores francanos, que merecem um tratamento especial por serem fiéis. “ Só tenho cortesia. E é só sete”, disse ela. Ao longo da conversa, combinam uma transação, mas o fornecedor avisa que só poderia entregar poucos comprimidos. “Catei mais uma cota ontem, mas já acabou tudo. Só devo ter umas 15 aqui”.
Desesperada, a traficante implorou por ajuda, mostrando o quanto é grande a procura pela drogas nas festas em Franca. “Pelo amor de Deus. Vê aí o que você faz. Aqui a cidade é lôca. Tem gente querendo e eu não tenho. Tem um maluco que tá querendo pegar uma cota boa, entendeu? Umas 100 ou 150. Falei que faço preço bom”.
A traficante revelou que vende cada comprimido pelo preço médio de R$ 40. “Isso é muito bom, já estralou (acabou) tudo. É a melhor coisa que aconteceu na minha vida”.
A mulher já foi identificada pela polícia e teria ligações com outros traficantes locais. Ela já foi detida com pedras de crack. Agora, deverá responder novamente por tráfico. “Ela será indiciada em inquérito e poderemos pedir sua prisão preventiva caso não seja localizada para interrogatório”, concluiu o delegado Pedro Luiz Dallaqua.
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