Hoje se conclui no Brasil mais uma fase histórica, no plano da convocação eleitoral, para a escolha do sucessor do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, bem como de vários governadores, ainda não reeleitos no 1.º turno. O pleito para a Presidência da República apresenta, de acordo com as últimas pesquisas de opinião, larga margem de vitória para Lula sobre o adversário de maior evidência, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo. Terminada a campanha eleitoral, talvez a mais conturbada dos 117 anos da República, não será exagero fazer alguns comentários alusivos à recondução de Lula. Vejamos.
Um primeiro comentário, feito por vários jornalistas após duas horas de debates, uma conclusão panorâmica pôde ser traçada: as discussões davam a impressão de que os litigantes postulavam promessas de países diferentes: enquanto Lula, empolgado por estatísticas ligadas a mil e uma notícias de realizações - bolsa família, saúde, grandeza da indústria, estradas perfeitas, PIB eufórico, desenvolvimento cultural nunca dantes alcançado, quitação de empréstimos do FMI etc., etc... - Geraldo Alckmin prometia apoio à agricultura, à indústria e ao comércio, combate à gastança desenfreada, garantia à segurança pública, combate à corrupção, juros baixos, investimentos maciços, luta para acabar com os 53% de déficit do saneamento básico do País, mais moradias populares, criação de empregos e mais projetos!
Lula sempre bateu duro no que chamou do “governo deles”, com apodos de esquecimento da pobreza, da novidade de “vagas nas universidades para os pretos e pobres”, aumento de salários, e o mais. Mas com uma oratória fulminante e irônica, com uma publicidade esfuziante e nem sempre dentro da verdade, ampliou a simpatia das classes operárias e dos grupos populares de menor renda. Por outro lado, criticava Alckmin pela sua vibração em torno de princípios inatacáveis: ética, legalidade, segurança, desenvolvimento, criação de empregos, combate à inflação, paz e bem-estar.
Conclusão: embora o governo de Lula, líder do PT, tenha sido acusado de graves casos de corrupção - mensalão, sanguessugas, vampiros, dossiês e quejandos - as pesquisas o apontam como provável vencedor. Estamos numa democracia: o sufrágio majoritário aponta esse caminho. Lula vai iniciar outro período de quatro anos. Inocente? Temor de outra dezena de processos de corrupção, dos quais - segundo Daniel Piza, no “Estadão” - ele “não via, não sabia, não aprovava?” Como acreditar? E, no entanto, é preciso acreditar na democracia e na purificação dos processos políticos inspirados na ética e no civismo: essa é a nossa esperança!
Aliás, há também um projeto de Lula: “en passant”, anunciou a possibilidade de reforma da Constituição. Não fará sombra à nossa esperança?
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