‘Só quero minha dignidade de volta’, desabafa Cosmiro dos Santos


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Num barraco feito de pedaços de madeira e restos de lona, sem água, energia ou comida, cercado por mato e lixo, o servente de pedreiro Cosmiro Leonardo dos Santos, 37, vive há dois anos com sua mulher, Sandra Regina Gonçalves, 30, e seus filhos, Ana Clara, 18 dias, Isabel, 1 ano e cinco meses, Jenifer, 3; Mirian, 6, e Cosmiro Júnior, 13 anos. “Não temos outro lugar para ir. Se sair daqui vou para o meio da rua dormir no banco da praça. Eu vivo de doações. Só queria minha dignidade de volta”, desabafou Santos, que continua desamparado e sem assistência. Passado um ano e vivendo nas mesmas condições precárias e de miséria teve mais um filho. O servente de pedreiro disse que há quatro meses houve uma reunião na qual representantes da Prohab (Programa de Habitação Popular) afirmaram que a construção das casas seria iniciada no prazo de dois meses. “Eles disseram que iríamos receber uma carta e poderíamos começar a construção. Mas até agora nada aconteceu”, disse. Sem outra alternativa, a família Santos espera tanto quanto a família Cordeiro, a Porto e mais 29 famílias que vivem em condições sub-humanas. “Somos 12 pessoas dividindo três barracos de madeira. Viemos da Paraíba e há mais de dez anos vivemos nessas condições. Ninguém da Prefeitura aparece aqui para nada”, disse Maria de Fátima de Lima, 40 anos. Ela também é uma das contempladas no projeto da construção da casa em sistema de mutirão. O deficiente físico Carlos Roberto Porto, 48, disse que ninguém resolve nada. “A Prefeitura culpa a ONG e essa, por sua vez, culpa a Prohab. No meio de tudo isso estamos nós, abandonados e esquecidos”.

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