Um barraco improvisado com pedaços de lona no meio de um matagal, sem luz, esgoto, cercado de lixo e insetos. Esse é o lugar onde Carlos Roberto Porto, 48 anos, seus filhos e mulher vivem no Jardim Vera Cruz. Como eles, outras 31 famílias há um ano esperam que a promessa de um novo lar seja cumprida pela Prefeitura.
Em 6 de outubro do ano passado, a Prohab (Divisão Pró-Habitação de Franca) publicou um edital com os nomes de 32 famílias carentes. A então secretária municipal de Assistência Social, Maria Ignês Archetti, declarou que todos os selecionados viviam em condições sub-humanas e, por isso, teriam sido escolhidos pela Prefeitura para receber uma casa.
As famílias foram notificadas por meio de uma carta. Os imóveis seriam construídos em sistema de mutirão em um terreno doado pela Prefeitura nas proximidades do Jardim Santa Bárbara. A Câmara Municipal já havia aprovado a doação. Restaria apenas à ONG (Organização Não-Governamental) Habitat, parceira da Prefeitura no projeto de construção, apresentar as documentações à Caixa Econômica Federal (CEF), que liberaria os recursos para o financiamento das casas.
Um ano depois, nada foi erguido. Segundo o agente administrativo da ONG, Luís Carlos Mendes, a CEF não liberou os recursos. “Faltou entregar o projeto arquitetônico dos imóveis”.
Mendes disse que a ONG chegou a pesquisar preços da execução do projeto nos escritórios de arquitetura da cidade. “Mas recebemos orçamentos de profissionais que variaram de R$ 10 a R$ 13 mil e não temos dinheiro”. Sem verba e conhecendo a dura realidade das famílias, representantes da Habitat procuraram a Prefeitura para pedir um arquiteto. “A prefeitura disse que não poderia liberar um profissional para esse trabalho”. Sem os recursos da Caixa, a construção dos imóveis continua no papel.
Desde a tarde da sexta-feira, 27, a reportagem do Comércio tentou ouvir a versão do diretor da Prohab, Vanderlei Martins Tristão, sem sucesso. Naquele dia, seu celular estava desligado. Na Prohab, sua secretária informou que Tristão estaria em São Paulo. No sábado, o diretor foi procurado novamente. Pela manhã, seu celular permanecia desligado. Na Prohab, não houve expediente.
Enquanto nenhum arquiteto da Prefeitura assume o projeto, as famílias continuam a viver em condições sub-humanas. “Tenho vergonha de morar aqui. Gostaria de ter uma casa como as outras pessoas. É horrível essa sensação de abandono”, disse Maria de Fátima de Lima, 40. Ela mora com a família em um barracão de madeira no Jardim Lima, a oito quarteirões da casa do prefeito Sidnei Rocha.
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