Transgênicos


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Cada ser vivo da natureza (alfaces, cogumelos, orangotangos, você) possui um código genético próprio, único e irrepetível. A seqüência dos milhares de genes na enorme molécula de DNA que nós temos em cada célula determina a cor dos olhos e da pele, formato do nariz, propensão a adquirir certas doenças, entre outras coisas. Nas plantas, determina se elas produzirão esse ou aquele nutriente, influi na doçura de seus frutos e “diz” se serão vulneráveis ou resistentes a cada tipo de praga. Na reprodução sexuada (que ocorre em muitas plantas também), genes dos genitores se recombinam de maneira quase aleatória. Por esse processo, a natureza selecionou as plantas e pessoas que melhor se adaptaram às condições de cada ambiente. E se o homem pudesse interferir nesse processo? Se pudesse inserir genes em plantas para torná-las mais em conformidade com seus interesses? Isso já é possível, mas também é muito polêmico. PROGRESSO OU ABERRAÇÕES Os seres resultantes da adição de genes de um organismo ao DNA de outro são chamados transgênicos. Um dos mais úteis casos de transgenia foi a adição de genes humanos em uma bactéria para que essa produzisse insulina. Além disso, houve quem criasse manga sem fiapo e frangos sem pena. Cientistas se dividem. Uns acham maravilhoso um mundo geneticamente perfeito, outros acreditam que não vale a pena ficar botando chifre em cabeça de égua. A empresa norte-americana Monsanto, que domina a produção de sementes de soja transgênica no Brasil, afirma que a tecnologia desenvolvida pelos cientistas da empresa será a grande salvação para o Nordeste, uma vez que já estudam a criação de sementes que suportem a seca do semi-árido. Além disso, a Monsanto promete que, no futuro, poderá oferecer aos produtores espécies vegetais que já nascem enriquecidas com vitaminas extras. Contudo, profissionais da área de saúde ainda não chegaram a uma resposta se essa tecnologia faz mal à saúde de alguma forma. De qualquer maneira, o que está claro é que, definitivamente, ingerir transgênicos não causa câncer ou alterações no DNA de quem as ingere, pois ninguém incorpora o material genético daquilo que come. Contudo, é possível que outros efeitos colaterais se verifiquem. Por exemplo: imagine que uma ervilha receba um gene de camarão para tornar a planta mais resistente. Se aquele que ingeriu a ervilha tiver alergia ao camarão e o gene introduzido na planta for justamente o que produz o elemento desencadeador das reações alérgicas, o consumidor poderia morrer. O órgão governamental responsável por avaliar os riscos de cada variedade transgênica que as empresas querem lançar no mercado é a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). Mas, segundo Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha sobre biossegurança da ONG Greenpeace, a soja transgênica da Monsanto, plantada em larga escala no Centroeste e no Paraná, não foi testada e “foi parar no nosso prato por pressão dos lobbystas internacionais”. A ecologista afirma que “os transgênicos são também uma ameaça à biodiversidade. Eles (as empresas que produzem as sementes vendidas aos agricultores) dizem que o transgênico vai acabar com a fome e produzir alimentos mais nutritivos, mas eles não fazem pesquisas desse tipo, eles só querem deixar a soja mais resistente a pragas, insetos e ervas daninhas. Mas a mesma planta inseticida para gafanhotos também mata borboletas, que podem, por sua vez ser importantes para a polinização de espécies nativas, que podem se extinguir. O desequilíbrio ecológico que essa ameaça à biodiversidade pode trazer é uma reação em cadeia que ninguém sabe onde vai parar”. O paranaense Darci Frigo, advogado e coordenador da ONG Terra de Direitos, afirma ainda que o material genético dos transgênicos pode escapar das plantações. “O vento leva o pólen do milho transgênico para plantações dos produtores que optaram por plantar o milho natural. Acontece então um cruzamento, de modo que daqui a alguns anos não se encontrará mais milho que não seja modificado”, alerta. O advogado diz ainda que os países pobres e os agricultores familiares sairiam prejudicados com a disseminação da transgenia, uma vez que não teriam condições de competir com os ricos que têm acesso à tecnologia. A Monsanto foi procurada pela nossa reportagem para comentar as questões polêmicas, mas se negou a responder às perguntas sobre o tema. A assessoria de imprensa da multinacional se limitou a enviar um e-mail contendo o que segundo eles é “um material básico com bastantes informações”. O material se resumia a um breve histórico da companhia e a uma lista de programas sociais desenvolvidos pela empresa, a maioria deles voltada para a educação ambiental. ROTULAGEM No Brasil a lei determina que todos as alimentos que contenham matéria-prima transgênica informem isso em seus rótulos, assim o consumidor que não deseja ingerir tais alimentos pode optar por outros. Contudo, nem todas as indústrias de alimento vêm cumprindo a determinação. Os cientistas do Greenpeace realizam testes para averiguar se os alimentos que não dizem conter transgênicos realmente não os usaram em sua fabricação. No endereço eletrônico http://www.greenpeace.org.br/consumidores/, a ONG denuncia as marcas de alimento que desrespeitam essa lei, muitas delas você conhece.

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