Nas missas deste domingo escutaremos trechos da palavra de Deus, do profeta Jeremias, da carta aos Hebreus e um milagre feito por Jesus, descrito pelo evangelista Marcos. Quando se fala sobre o profeta Jeremias sempre nos lembramos do profeta que lamenta.
Quase sempre pensamos como ele. No capítulo 31, o profeta dá uma visão diferente: está alegre e repleto de esperança. Ele quer reerguer as esperanças do povo sofrido, isto é, o povo de Israel exilado na Assíria há um século. Ele anuncia que o próprio Deus se encarrega de reunir e organizar o povo sofrido, trazendo-o de volta à sua pátria. Ele reúne e conduz aqueles que estão na miséria, sofredores e fracos, marginalizados e indefesos, porque estes é que são o povo de Deus, os que ele privilegia e liberta.
O profeta deixa claro que do sofrimento nasce a alegria e que da dor brota a fecundidade. Deus tem um carinho especial para com os sofredores e indefesos.
Esta é a opção de Deus. Na nossa vida temos muitas provas do seu amor, do seu carinho, do seu tratamento de pai misericordioso. Em Jesus, Deus manifestou seu amor por nós: Jesus é o sumo sacerdote misericordioso.
Os versículos escolhidos como segunda leitura deste domingo são a mensagem central de Hebreus. Jesus Cristo é o único sacerdote, ou seja, só ele é mediador entre Deus e as pessoas. Cristo, Filho de Deus, é um sacerdote diferente, é o “sumo sacerdote” porque se apresentou a si próprio como oferta e, mediante o sofrimento, obteve a salvação de todos.
O trecho da carta aos Hebreus escolhido revela que Cristo, solidário em tudo com as pessoas, é o único mediador entre Deus e a humanidade, pois sua morte é o sacrifício que apaga nossos pecados e nos aproxima, de modo extraordinário e único, de Deus.
E o evangelho revela a cura do cego Bartimeu. No evangelho de Marcos este é o último milagre de Jesus, encerrando também a caminhada do Mestre para Jerusalém, onde será morto e ressuscitará. Jesus está deixando a cidade de Jericó e se dirige para Jerusalém. Sentado à beira do caminho estava Bartimeu, que era cego e mendigava. Sua situação lembra a dos que vivem à margem da sociedade, cuja sobrevivência depende da compaixão das pessoas. Ao ouvir que Jesus está passando, ele confessa, por duas vezes, que Jesus é o Messias, o Cristo, chamando-o de “filho de Davi”. Ele sabe quem é Jesus, e por isso grita com coragem: “tem piedade de mim”. Ele proclama sua fé com Jesus.
Jesus o chama e aqueles que estavam próximos lhe dizem: “Coragem! Ele te chama, Levanta-te!”. Bartimeu joga fora o manto e se aproxima de Jesus e faz um pedido: “Mestre, que eu veja”. O cego vai ao encontro da vida! Bartimeu é curado pela excelente fé que possui.
A beleza da fé deve nos encantar sempre mais. Como Bartimeu, somos convocados a dar testemunho de verdadeira vida cristã e seguir decididamente o Senhor, com o olhar sempre renovado.
A lição da palavra deste domingo está marcada pela alegria, fé e esperança. Tudo se resume na palavra “coragem”.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.
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