Samello oferece terreno para pagar funcionários


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O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, chega à Samello para encontro com diretores da empresa: até agora, não houve acordo
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, chega à Samello para encontro com diretores da empresa: até agora, não houve acordo
O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, apresentou ontem um acordo ao Sindicato dos Sapateiros para que os 400 funcionários, com salários atrasados há mais de um mês e dispensados do trabalho desde o dia 16, voltem à linha de produção na próxima semana. A proposta, porém, não prevê o pagamento imediato dos ordenados, mas a venda de um terreno da empresa, cujo dinheiro seria utilizado para quitar os débitos com os trabalhadores. Na segunda-feira, haverá uma assembléia na porta da fábrica e se a oferta for rejeitada, a situação da Samello se complicará ainda mais. Embora Miguel Mello Neto não tenha revelado a localização do terreno, a reportagem apurou se tratar de uma área de 19 mil metros quadrados próxima ao Clube Castelinho, cujo preço de venda seria superior a R$ 3 milhões. A dívida da Samello com os funcionários gira, hoje, em torno de R$ 820 mil. O empresário acredita que, apesar do alto valor, encontrará compradores a curto prazo. “Já temos algumas pessoas interessadas. Acredito que em questão de poucos dias o negócio poderá ser concretizado e poderemos pagar os nossos colaboradores e negociar com os credores”, disse. O pagamento do próximo dia 5, segundo ele, estaria garantido com ou sem a venda do terreno. Os recursos viriam de uma injeção de recursos, da ordem de R$ 5 milhões, feita por um agente financeiro de São Paulo na empresa francana. O dinheiro seria utilizado ainda para a compra de matéria-prima. A garantia para esta operação financeira seria uma outra propriedade da Samello. “Vamos vincular um prédio nosso no negócio e dar uma contrapartida mensal a este agente. Acredito que na segunda ou na terça este negócio esteja concluído. Estou muito otimista”. Sobre as negociações da Fazenda Sadamata, situada no Mato Grosso e avaliada em R$ 60 milhões, Miguel Mello Neto não falou muita coisa. Disse somente que o grupo mantém a propriedade à venda e que um virtual comprador avaliou a área na quarta-feira, mas ainda não deu resposta. Conforme o empresário, a venda da Sadamata sanearia totalmente as finanças da Samello. DEMISSÕES Miguel Mello Neto afirmou que, seja qual for a decisão dos funcionários na assembléia de segunda-feira, demissões voluntárias estão, por enquanto, fora dos planos da diretoria da empresa. Essa possibilidade foi aventada pelo presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, na quinta-feira. “Não tem nada disso. A Samello quer e vai pagar os funcionários e voltar a produzir. Qualquer modalidade de demissão está fora de cogitação”.

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