Depois de comprar briga com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) por causa dos serviços de água e esgoto de Franca e implicar com os cones colocados pela Polícia Militar em frente à base comunitária na Praça Nossa Senhora da Conceição, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) agora resolveu impedir que vendedores de picolés trabalhem no Terminal Rodoviário Ayrton Senna, no centro de Franca.
Para isso, deslocou parte dos onze fiscais da Divisão Municipal de Fiscalização de Obras e Postura para o local. Os profissionais tiveram a “missão” de dar um ultimato aos quatro picolezeiros que ficam nas pontas das plataformas: se não deixarem o terminal, a partir da próxima semana, terão os produtos apreendidos. “Eles estão atrapalhando o fluxo das pessoas que usam o transporte coletivo. Se continuarem, iremos levar os produtos e doar para as creches”, o ameaçou o chefe da Divisão, Air Fontanezzi.
A proibição teria sido decidida depois que, segundo Fontanezzi, vários usuários do terminal rodoviário enviaram ofícios à Prefeitura pedindo a expulsão dos ambulantes. “A população reclama que eles quase entram dentro dos ônibus para vender o sorvete e atrapalham e tumultuam o local”, disse. O volume de ofícios parece não ser significativo. Indagado a respeito, Fontanezzi disse que recebeu “uns dois ou três”. Em que pese o ultimato dado, o chefe da Divisão de Fiscalização disse que não é intenção da Prefeitura prejudicar o trabalho de ninguém. “Só queremos organizar o serviço”.
A reportagem do Comércio ouviu os quatro vendedores de picolé ameaçados. Todos têm mais de 60 anos e tiram seu sustento da venda de sorvetes. Dois deles preferiram não falar com medo de retaliações. Um outro se declarou indignado, mas pediu para não ser identificado. “Trabalho dentro do terminal porque o rendimento é maior. As pessoas não saem de lá para ir do outro lado da rua comprar sorvete. Não entendo porque não podemos continuar lá”.
Sílvio Rigoto, 65 anos, outro picolezeiro, há 25 anos vende picolés no Centro de Franca e acha um abuso a atitude do prefeito. “Ele não quer que a gente trabalhe. Com certeza ele deve achar que é melhor eu ir roubar. Estou trabalhando honestamente. A cidade tem problemas muito maiores com os quais o prefeito devia se preocupar antes de implicar com quatro picolezeiros”. O prefeito foi procurado na tarde de ontem, por telefone, para falar sobre o caso, mas não foi localizado.
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