A Samello deve definir hoje o próprio futuro e o de seus 400 funcionários. A diretoria da empresa está desde terça-feira em São Paulo em busca de um empréstimo bancário para pagar os salários atrasados e os fornecedores. Somente com os empregados, a dívida é superior a R$ 720 mil.
A venda da Fazenda Sudamata, no Mato Grosso, avaliada pela família em R$ 60 milhões, outra alternativa aventada pelo grupo para sair da crise financeira, também não havia se concretizada até ontem. Caso não consiga o dinheiro, uma retomada imediata de produção será impossível e a Samello poderá começar a demitir.
Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, a diretoria pediu paciência até a tarde de hoje, quando deverá haver um posicionamento definitivo dos bancos onde pediu crédito. Caso contrário, abriu caminho para que os funcionários deixem a empresa. “Na última reunião que tive com os diretores, foi colocado que os trabalhadores que não quiserem mais esperar poderão ir à empresa na segunda-feira e manifestar a vontade de serem desligados”, afirmou.
Ribeiro disse ainda que quem preferir sair não perderá seus direitos trabalhistas, inclusive a multa rescisória de 40%. A garantia para o recebimento dos acertos seria o patrimônio da Samello na cidade. “A diretoria disse estar disposta a disponibilizar seus bens como uma forma de tranqüilizar os funcionários de que não haverá calote. Assegura que quem sair vai receber tudo.”
Na Samello, a informação é que o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, ainda não havia retornado de São Paulo, onde conduz as negociações. Seu telefone celular permaneceu desligado durante todo o dia.
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