Antônia, 37, é garota de programa em Franca. Tem 20 anos de trabalho pelas zonas de meretrício da cidade, em especial na região do Jardim Guanabara, e mesmo com toda a experiência adquirida durante esse tempo não faltou, ontem, ao 3º Encontro Municipal: Visibilidade e Direitos dos Profissionais do Sexo. O evento foi promovido pelo Centro de Prevenção em DST (Doença Sexualmente Transmissível) e Aids, no Salão Nobre do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), e discutiu os programas e problemas dessa categoria. Travestis, garotos de programa e profissionais de saúde, entre eles muitos estudantes, participaram das palestras que reuniram cerca de 200 pessoas.
Casas de prostituição, violência e sexo seguro foram os temas debatidos. Os participantes puderam fazer perguntas e expor o cotidiano da profissão. Trabalhos desenvolvidos em Piracicaba, como o Projeto Esquina da Noite, em São José do Rio Preto e em Bertioga foram apresentados. Segundo João Carlos Sanches Doná, coordenador do Programa de Prevenção com Profissionais do Sexo em Franca, a troca de experiência foi positiva e ajuda a mudar valores. “Precisamos ter outras alternativas, lutar no sentido de quebrar barreiras. Percebemos que há interesse sobre o tema, por isso precisamos trazer mais eventos e trabalhar a educação para a diversidade”, disse. Doná estima que em Franca haja mais de 300 profissionais do sexo. O programa, atualmente, faz acompanhamento com 140 garotas nas ruas, bares e casas de massagem, 30 travestis e dez garotos de programa.
Para Antônia, que chega a ganhar R$ 3 mil por mês, é preciso também trabalhar com a sociedade. “Muitos dos meus clientes têm preconceito com a camisinha. A gente pede, mas eles não aceitam e muitas vezes nos violentam”, revelou. “O encontro é válido, temos todo um aparato na área de saúde, mas precisamos de mais apoio da polícia e dos clientes.”
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