‘PCC é mais poderoso do que se imagina’


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Comércio da Franca - Você defende a diminuição da pena para os criminosos que denunciarem seus comparsas, mas o delator não corre risco de ser morto pela máfia à qual pertence? José Alexandre Guidi - Por isso é que é importante a lei de proteção a vítimas testemunhas, testemunhas e colaboradores da Justiça. A lei determina que o Estado proteja quem colabora com a Justiça, fornecendo toda a proteção. O colaborador muda de cidade, de emprego e até de nome. Comércio - Além de usar a delação premiada para descobrir quem são os chefões do crime, o que mais o Estado pode fazer para combater o crime organizado? Guidi - Em primeiro lugar, é preciso tornar o processo penal mais ágil para diminuir a impunidade que incentiva o ingresso no crime. É preciso também que o Estado se faça presente em outras áreas, pois as organizações criminosas recrutam seus “soldados” justamente nas áreas onde não há escola, não há emprego, não há oportunidades. Comércio - Qual é o tamanho do poder do PCC? Guidi - É muito maior do que se pensa. Eles têm muito dinheiro e um exército infinito, sempre há soldados dispostos a colocar bombas e cometer outros crimes em troca do perdão de dívidas; preferem o risco de ser presos à certeza de ser mortos pelos chefões. Além disso, pouco a pouco, o crime organizado ocupa cada vez mais as altas esferas do poder.

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