O mais antigo albergue da cidade deve fechar as portas a partir do dia 1º de novembro. Mantido pela Fundação Espírita Judas Iscariotes há mais de 60 anos, o abrigo não tem mais condições de continuar atendendo. O prédio onde ele funciona, ao lado do Hospital Allan Kardec, está com as paredes rachadas, vazamentos em toda parte, encanamentos estourados, camas quebradas e colchões mofados. Sem recursos para custear os reparos necessários, a fundação anunciou ontem que suspenderá, por tempo indeterminado, os atendimentos.
Por noite, mais de 25 pessoas dormem no local. Lá, aproveitam também para tomar banho, recebem roupas e pijamas. Além disso, o albergue ainda distribui, todas as noites, gratuitamente, pratos de sopas para cerca de 30 necessitados. Às vezes, o cardápio é incrementado com outros tipos de alimentos. Na manhã seguinte, para os que pernoitam no albergue, é oferecido também um café com pão e manteiga.
O diretor de patrimônio da Fundação, Fernando de Oliveira Campos, disse que o fechamento do albergue vem sendo estudado há tempos.”Adiamos essa decisão o máximo possível, mas chegamos a uma situação em que não dá mais para continuar. Nem a Vigilância Sanitária permitiria nosso funcionamento. Infelizmente, depois de mais de 50 anos atendendo, vamos ter de suspender tudo até que tenhamos dinheiro para as reformas”, lamentou. O diretor não soube precisar o quanto seria necessário para sanar os problemas de infra-estrutura do prédio. Disse apenas que o valor deve superar os R$ 100 mil.
Antes de encerrar as atividades, a Fundação tentou outras alternativas. Segundo o diretor, há cerca de três meses foi enviado à Prefeitura um ofício pedindo ajuda para as reformas ou a cessão de um novo prédio. Até agora não houve resposta. “Como o local é muito antigo, às vezes, compensa nos ceder um novo prédio. Estamos aguardando uma resposta. Se conseguirmos um local, o albergue voltará a funcionar.”
O diretor disse que também tenta negociar com a Prefeitura a doação de um terreno que servirá para abrigar uma nova sede. “Com o terreno, faremos campanhas, pediremos doação e construiremos um novo albergue.”
Oliveira disse que a intenção da fundação é reabrir o abrigo assim que as reformas forem feitas ou um novo prédio seja cedido. “Como isso não depende apenas da nossa vontade, não temos idéia de quando poderemos voltar a funcionar”.
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