Uma verdadeira blindagem foi criada sobre o caso envolvendo o advogado que recebeu voz de prisão de um juiz, no interior do prédio da Justiça Federal de Franca, nesta quarta-feira. As autoridades envolvidas na ocorrência adotaram a lei do silêncio, fazendo levantar suspeitas de que o problema tenha sido maior do que um simples mal-entendido.
Procurado pela reportagem, o juiz-substituto da 2ª Vara Federal, Joaquim Eurípedes Alves Pinto, disse, por meio de sua secretária, que não poderia conceder entrevista. O procurador da República em Franca, João Bernardo da Silva, não foi encontrado em seu gabinete. Na Polícia Civil, ninguém fala oficialmente sobre a confusão.
Uma fonte que acompanhou de perto os fatos contou detalhes ao Comércio sob a condição de ter o nome mantido sob sigilo. O desentendimento se deu mesmo durante audiência previdenciária, em que uma senhora de 65 anos, moradora da zona rural, tentava obter sua aposentadoria. Além do advogado, ela era acompanhada por três testemunhas.
As pessoas arroladas no processo diziam ao juiz que conheciam a beneficiária e que ela trabalhou alguns anos na roça. O magistrado desconfiou das versões e perguntou se haviam sido orientadas pelo advogado. “Como são pessoas muito simples disseram que sim. Imediatamente, as testemunhas, a mulher e o advogado receberam voz de prisão”, revelou a fonte.
A Polícia Civil foi acionada para elaborar o flagrante. O delegado Luiz Carlos Almeida Souza e dois investigadores foram para o local. Logo em seguida, chegou o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Franca, Marco Aurélio Gilberti Filho. Ainda no auge da confusão, o advogado também teria dado voz de prisão ao juiz. Com os ânimos acalmados, as partes se entenderam e suspenderam a prisão.
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