Pelo menos cinco viaturas da Polícia Federal chegaram a Franca no fim da madrugada de ontem e deixaram a cidade em polvorosa. A presença dos policiais em diferentes bairros despertou comentários e suscitou muitas dúvidas. “O que eles estão fazendo aqui?”, foi a pergunta mais comum. Diversas hipóteses foram levantadas, como eventual desdobramento sobre o caso envolvendo o advogado que recebeu voz de prisão ou alguma operação contra sonegação fiscal. Nada disso. O objetivo era apoiar oficiais da Justiça Federal na entrega de intimações a integrantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra).
No dia 6 de maio, 98 membros do MLST na região de Franca participaram da invasão e quebra-quebra no Congresso Nacional, em Brasília. Ficaram presos na Penitenciária da Papuda e só foram liberados 39 dias depois. Agora, começarão a dar explicações às autoridades. “A Justiça Federal do Distrito Federal determinou que os envolvidos sejam ouvidos por carta precatória em Franca. As intimações começaram a ser entregues e nossas equipes estão apoiando os oficiais”, disse o delegado Gênova, da Polícia Federal de Ribeirão Preto.
Para o cumprimento das intimações, os policiais federais chegaram cedo a Franca. Antes das 6 horas as viaturas já estavam estacionadas diante do prédio da Justiça Federal, na Avenida Presidente Vargas. Logo depois, cada equipe seguiu para um endereço em pontos diferentes da cidade. Até mesmo a zona rural foi visitada.
O número de sem-terra intimados na região de Franca não foi divulgado. Eles prestarão depoimento à Justiça Federal em novembro. Um dos líderes guarda como amuleto uma bandeira vermelha do movimento autografada por presos durante o período em que dividiram cela na penitenciária de Brasília. Atualmente, cerca de 200 famílias estão acampadas na Fazenda Santa Cruz, em Cristais Paulista.
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