Escolas promovem vazias em tempos de colheita do café


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Durante os meses de junho e setembro o número de alunos nas duas escolas de Sussuarana (BA) cai, em média, 80%. Os adolescentes deixam a sala de aula para ajudar a família a ganhar mais dinheiro na colheita de café nas fazendas de Ibiraci e as crianças, que não tem com quem ficar, também param os estudos para acompanhar os pais. É uma história que se repete anualmente e preocupa os educadores. A diretora do Centro Educacional de Sussuarana, Maria da Conceição Silva Gomes, 39, disse que tenta convencer os pais a não tirarem os filhos da escola. “Não adianta. É inevitável”, disse ela. Maria da Conceição sabe que a colheita de café é a única alternativa para milhares de famílias continuarem sobrevivendo e por isso faz o que pode para ajudar na recuperação dos alunos. “Neste ano implantamos um projeto em que os estudantes que ficaram em Sussuarana ajudam os que foram para Ibiraci. É como um trabalho em grupo. Espero que funcione. É uma forma que encontramos para evitar que um grande número de alunos fique em recuperação ou tenha que repetir o ano”, disse a diretora. Felizmente, com o fim da colheita, a grande maioria volta para a sala de aula. A professora Núbia Celeste Novaes da Silva, 41, disse que com o retorno dos alunos é preciso ter muita paciência para trabalhar com os estudantes que ficaram três meses de “férias”. “Infelizmente o aprendizado fica prejudicado e muitos não conseguem se recuperar antes das provas finais. Em razão disso, muitos estudantes estão em idade avançada para a série que cursam. Mas precisamos compreender”, disse. Os irmãos Maradona, 16, e Luís Carlos Gomes Rocha, 15, são exemplos disso. Pela idade deveriam estar cursando o Ensino Médio, mas ainda estão na 7ª série. Eles deixam de freqüentar a escola entre junho e setembro há três anos. “No ano passado fiquei de recuperação; neste ano vou me esforçar mais para passar de ano direto”, disse Maradona, que sonha em fazer faculdade de Direito. “Quero dar uma vida melhor para minha família”. Os dois irmãos estão na 7ª série e sempre encontram colegas nas fazendas onde trabalham na colheita. A mesma história se repete na Escola Rural “Afrizio Vieira Lima”, onde estudam 24 alunos de 1ª a 4ª série. A professora Célia da Silva, 24, comenta que durante a colheita o número de alunos cai para dez. “Quando voltam a gente tem que trabalhar muito com eles para recuperar o tempo perdido”, afirma ela. O prefeito de Tanhaçu, Eduardo Silva Santana (PL), 32, que responde por Sussuarana, disse que não consegue atrair indústrias para aquela região para garantir emprego para a população. “Não tenho como manter essas famílias no nosso município porque não é possível oferecer emprego para todos”, disse ele.

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