Com a peteca


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Camisa e calção pretos. No peito, na altura do coração, um emblema com uma âncora vermelha. Acima, cinco estrelas, uma delas dourada, orgulho para uma verdadeira nação. Esse é o uniforme de Filipe Cintra de Pádua Barbosa, 27. Nascido em Cássia/MG, ele reside em Franca há anos e conquistou pelo segundo ano consecutivo o título de vice-campeão paulista de Peteca, categoria duplas. Sua equipe é o Sport Club Corínthians Paulista. Isso mesmo. O Timão tem um departamento de peteca criado há 74 anos. As dificuldades para se praticar o esoprte são muitas. A começar pelo fato de não haver remuneração. Mesm o assim, Filipe pode se considerar um afortunado. Desde que foi “contratado” no início deste ano, o Corínthians arca com as despejas junto a Federação, viagens e inscrições em torneios. “Algo em torno de R$ 500 por competição”, afirmou. Além disso, seu parceiro, Marcelo Parreira Machado, reside em Bauru. Isso impede que treinem e aprimorem o conjunto da dupla, pois só encontram-se em feriados prolongados ou em competições. Sua história explica o por quê da popularidade da peteca em Franca e região. Na adolescência jogou futebol e quase se profissionalizou. Contusões seguidas o levaram a se dedicar à peteca, esporte menos violento. De lá para cá encontrou o parceiro, que é de Cássia, e tornou-se atleta inscrito pela Federação Paulista. Hoje é escriturário em um cartório de Franca. Já conquistou títulos em torneios disputados em Passos, Cássia, Piumhi, Brasília, São Paulo e São José do Rio Preto. A ligação com o Corínthians aconteceu devido as boas atuações no Paulista do ano passado. “Este ano o torneio teve quatro etapas. Não tivemos sorte, pois me machuquei e só disputamos duas delas. Mesmo assim, fomos vice-estadual. Nossa meta agora é levantar a taça no ano que vem”, revelou. Nas duas etapas que disputou, Filipe foi campeão. A última foi nos dias 7 e 8 deste mês no Corínthians. A categoria adulto teve doze equipes e eles venceram seis jogos até o título da etapa. Mesmo sem vencer o Estadual, foram cumprimentados pelo presidente Alberto Dualib. A dupla campeã foi do clube Monte Líbano, de São José Rio Preto, e que terminou apenas cinco pontos à frente do francano. Só o campeão disputará o Brasileiro, em novembro. A peteca (bater em tupi-guarani) é um jogo nascido com os indígenas antes do descobrimento do Brasil. Sobreviveu como recreação até a década de 1940, quando passou a ser jogado nas quadras do Minas Tênis, em Belo Horizonte. Foi oficializado em 1985 e dois anos depois aconteceu o primeiro Brasileiro. Hoje há cerca de cem mil jogadores no País. Em Franca, segundo Cintra, existem cem praticantes.

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