Um advogado recebeu voz de prisão de um juiz durante audiência realizada, ontem à tarde, na Justiça Federal de Franca. A Polícia Civil e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marco Aurélio Gilberti Filho, foram acionados para tentar acompanhar o caso. Os motivos da confusão e o nome do advogado não foram divulgados. A reportagem apurou que ele teria orientado uma testemunha a mentir em juízo. A versão não foi confirmada oficialmente.
A discussão aconteceu por volta das 17 horas, no interior de uma sala da 2ª Vara Federal, durante audiência previdenciária, cujo processo corre em segredo de Justiça. O encontro seria presidido por um juiz-substituto. O procurador da República em Franca, João Bernardo da Silva, representava a União. Em determinado momento, após o relato de duas testemunhas, houve um desentendimento entre o juiz e o advogado. O magistrado se levantou e deu voz de prisão a ele. “O juiz entendeu que o advogado estava instruindo as testemunhas a mentirem”, disse uma fonte que pediu anonimato.
Foi o estopim para uma confusão, que só foi terminar quatro horas depois, sem as devidas explicações. O presidente da OAB de Franca, Marco Aurélio Gilberti, e o delegado Luiz Carlos Almeida Souza foram chamados às pressas e fizeram uma longa reunião com as partes envolvidas. Durante o encontro a portas fechadas, costuraram um acordo e colocaram panos quentes na situação. A prisão não foi levada adiante.
O procurador João Bernardo foi o primeiro a deixar o prédio da Justiça Federal, mas saiu por uma porta dos fundos para evitar a imprensa. Seguranças armados impediram a entrada dos repórteres e disseram que não estavam autorizados a chamarem o juiz. Marco Aurélio Gilberti foi o único que aceitou falar, mas nada acrescentou. Disse que “nada sabia”. “Não ouve ocorrência. Não tem nada. Teve um mal entendido do juiz com o advogado e foi resolvido amigavelmente e acabou”. E os motivos? “Não tenho conhecimento dos fatos”. Nervoso, preferiu atacar a reportagem do Comércio.
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