Água, limão, chocolate é R$ 1, vai?!


| Tempo de leitura: 3 min
“Vendo pilha, bateria, fita cassete, biscoito/paçoca, doce de abóbora/doce-de-coco, rádio-relógio (...)/mas pode pedir/se não tenho/sei quem terá”. Este trecho da música Rap do Real, de Pedro Luiz, da banda Pedro Luiz e a Parede, exemplifica um tipo de vendedor, antigo, conhecido como caixeiro-viajante. Em sua caixa-mala (daí o nome caixeiro) cheia de bugigangas, o vendedor ambulante seguia de cidade em cidade, batendo de porta em porta oferecendo seus produtos. Parece coisa muito, mas muito antiga. Mas a história de vendedor é mais velha do que o leitor possa pensar. As coisas começaram com o conhecido escambo ou troca. Pessoas que tinham galinhas negociavam com pessoas que tinham frutas. Alguns tinham aptidão para o negócio e lucravam com o ofício. Depois, estabeleceram-se as moedas. Os objetos e alimentos passaram a ser trocados por elas. E as moedas trocadas por outras coisas. No meio do caminho, sempre havia pessoas para atravessar as negociações, os atravessadores. Na ponta, os vendedores se faziam de elo de ligação com os consumidores, os clientes. Parte disso tudo, agora, é coisa do passado. Ainda existem os donos das coisas (os fabricantes), os atravessadores (fornecedores) e os vendedores. A diferença está no último caso. Descobriu-se a necessidade de conhecer os clientes e tratá-los de forma a não desprezar a sua inteligência. Nasceram técnicas de vendas e a persuasão cedeu lugar ao encantamento. A velha “conversa para boi dormir” também não tem mais lugar nas grandes empresas de varejo. Em vez disso, o compromisso com a venda está diretamente ligado ao bem-estar e à satisfação do cliente ao adquirir um produto, que vai além do fechamento do negócio no balcão e se cumpre durante o recebimento do material adquirido, instalação, formas de pagamento e futuras compras. Para quem está dentro da profissão de vendedor, outro cargo só se for de vendedor. VOCÊ FAZ SEU GANHO A profissão muitas vezes é desprezada. Quando se faz a bendita pergunta: “No que você trabalha?”, a resposta pode ser evasiva: “Promotor de vendas, assessor de vendas, coordenador de vendas”. Mas, a valorização da profissão tem ganhado força ao longo dos últimos anos. Boas comissões, ambientes competitivos e saudáveis, além de oferecimento de planos de carreira atraem muitos jovens para empregos em vendas. O primeiro emprego de Olga Cristiane Oliveira, 24 anos, foi no Magazine Luiza, há quatro anos. A possibilidade de ganhos que podem chegar a mais de R$ 2 mil por mês e as responsabilidades atribuídas à sua função a motivaram a seguir carreira e sonhar com futuras promoções. “Não ‘estou’ vendedora, eu ‘sou’ vendedora”, diz Cristiane. Metas, compromissos com sua carteira de clientes, responsabilidade com os contratos assinados são algumas tarefas que ela tem de cumprir diariamente. “É como se eu fosse dona desta empresa”, afirma. Marcelo Genaro Silva, 22, também sonha em seguir carreira na área de vendas. “Mas quero crescer e vejo possibilidade aqui onde trabalho. Só depende de mim”, diz o vendedor do Magazine Luiza. A profissão é defendida também com unhas e dentes pelo gerente Matias Taveira, da loja do Magazine Luiza do Centro de Franca. “Antes de ser gerente sou vendedor”, responde rápido para não deixar sombra de dúvidas. Segundo ele, a nova filosofia das empresas põe os vendedores em uma posição de destaque. Afinal, boas vendas dependem de bons profissionais. “Mas boas vendas estão relacionadas à satisfação do cliente. O vendedor de hoje é um facilitador para que o cliente leve o que ele precisa com o melhor custo-benefício”, explica Matias. O “novo” vendedor tem de ter em mente também que o salário quem faz é ele. Espírito empreendedor e ambição fazem parte dos apetrechos de um vendedor. “Existe um piso salarial em Franca (cerca de R$ 530), mas se o vendedor se contenta com o mínimo, está fora do mercado”, disse o gerente, que afirma que há certas situações em que experientes vendedores atingem mais de R$ 3 mil mensais. “Só depende dele”. Matias é vendedor até na hora da entrevista. Ao final da entrevista, o fotógrafo brincou com o gerente: “Ele (repórter) quer um ferro de passar roupas”. Ao que respondeu Matias: “Temos ferro, tábua de passar e vocês ainda podem levar as roupas. A seção de vestuários é logo ali. Está linda!”, vendeu, digo, afirmou o gerente.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários