A Nação vive os instantes finais de uma das mais acirradas (e desleais) campanhas políticas. O eleitor tem sido bombardeado por informações estarrecedoras e explorações inconseqüentes. Candidatos e facções transformaram nossos ouvidos em típicas latrinas.
Ao final desse rosário de ardis e podridão, conveniente seria que as autoridades encarregadas do processo eleitoral Justiça e Ministério Público adotassem medidas competentes para impedir a posse dos eleitos, cujos atos ainda estejam sob investigação. Seria do mais alto interesse público pois, ao mesmo tempo, evitaria que os acusados voltassem a praticar irregularidades e daria um verdadeiro atestado de idoneidade aos que reunissem condições de assumir.
Juízes de atuação mais rígida já impediram ou retardaram a posse de eleitos sob suspeita nas eleições municipais de 2004. Prefeitos e vereadores de diferentes municípios só receberam o cargo conquistado nas urnas depois de resolvidas as pendências, e os que não provaram regularidade, não assumiram. O mesmo rigor aplicado aos ‘bagrinhos’ da política interiorana poderia ser empregado aos integrantes da grande roda política nacional e estadual, cujas mãos e carreiras estão manchadas com mensalões, sanguesugas , dossiês, dinheiro de origem criminosa e outras irregularidades.
Não há dúvida de que, ao verem os barões duvidosos da grande política terem de se explicar, os enojados eleitores recuperariam um pouco da confiança, cuja atuação desses mesmos senhores tem jogado por terra.
O Brasil precisa de políticos de mãos limpas e propósitos honestos na Presidência da República, Governos Estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas. Vivemos o momento mais oportuno para passar a limpo, definitivamente, a política brasileira. Não há mais lugar para político antiético ou sinônimo de ladrão. Essa é uma figura que deve ser sepultada e, principalmente, esquecida...
TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)
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