S.O.S Santa Bárbara


| Tempo de leitura: 3 min
Ratos, baratas, escorpiões, cobras, grilos, esgoto a céu aberto, sujeira, mato alto, falta de asfalto, de policiamento e de creches. Tudo isso faz parte do cotidiano das mais de 50 famílias que moram no prolongamento do Jardim Santa Bárbara, em Franca. Os moradores vivem precariamente, sem as mínimas condições de higiene e de infra-estrutura, e se sentem abandonados pelo munícipio. “Para o governo, o prolongamento do Santa Bárbara não existe. Os políticos só aparecem aqui em época de eleições, depois nós morremos para eles”, desabafou a sapateira Juliana Machado Nascimento de Souza. O bairro existe há oito anos e a luta dos moradores parece não ter fim.O mau cheiro pode ser sentido de longe, por causa do esgoto que corre a céu aberto. Os moradores construíram fossas, cuja capacidade de armazenamento já se esgotou. “As fossas já estão cheias e não tem mais onde fazer buracos”, disse a sapateira. Na época da seca a poeira que vem das ruas de terra é prejudicial à saúde, atingindo principalmente crianças e idosos. “Tenho três filhos, de 10, 7 e 2 anos, que vivem doentes por causa da poeira. O pior é que a ambulância não atende aos nossos chamados e quando vem demora tanto que se for grave nós morremos sem atendimento”, disse a dona de casa Silvana do Nascimento. Encontrar escorpiões, baratas e ratos debaixo do colchão, nas roupas e dentro das panelas é comum para os moradores. “Na minha casa tem tanto bicho que não sei mais o que fazer. Mesmo limpando a casa todos os dias não conseguimos eliminá-los. As baratas e os ratos saem aos montes das fossas e viram ‘comida’ para os cachorros”, disse a dona de casa Lidiane Roberta da Silva. A falta de segurança também é outro problema que aflige as famílias do bairro. “O mato é muito alto e os bandidos ficam escondidos. Tenho medo e não deixo meus filhos andarem nas ruas sozinhos. De noite então nem saímos na janela”, disse o pedreiro Valdecir Teixeira. Ao percorrer o bairro, a reportagem do Comércio verificou perigos evidentes à saúde dos moradores. Crianças descalças em contato com esgoto, lixo espalhado, mosquitos e muita sujeira. “Não temos onde deixar as crianças, pois a creche fica a um quilômetro e não tem vagas. Meus três filhos de 7, 5 e 3 anos ficam pela rua mesmo, pois também não têm onde brincar. Não posso fazer nada”, disse a desempregada Janete Pereira da Silva. DESCASO Contrariando o sentimento dos moradores, a Prefeitura afirma que não esqueceu o bairro. “O Cras (Centro de Referência da Assistência Social) desenvolve diversos projetos sociais para inserir e melhorar as condições de vida dos moradores mais carentes”, explicou o secretário de Desenvolvimento Humano e Ação Social, Roberto Nunes Rocha. O Cras está localizado no complexo Aeroporto, que engloba 25 bairros, inclusive o prolongamento do Santa Bárbara e atende mais de 48 mil pessoas. “A nossa prioridade são as crianças e os idosos, mas temos de fazer tudo correto para não termos problemas na hora da prestação de contas”, disse Rocha. Sobre a falta de creches, a secretária de Educação, Leila Haddad, informou que ela não tem responsabilidade sobre o assunto. “As creches são um problema da parte social. Só posso informar que no próximo ano serão construídas três creches no Paulistano, Luíza II e no Recanto Elimar, nas proximidades do Santa Bárbara”. O secretário de Urbanismo e Serviços Municipais, Wilson Luiz Teixeira, foi procurado para falar sobre as obras no bairro, mas até o fechamento da edição não retornou os três telefonemas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários