Quem fica para trás


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Apesar de a maioria dos moradores da região de Sussuarana (BA)se manter como o dinheiro conquistado na colheira do café, alguns ainda vivem na pobreza como a dona Tertulina
Apesar de a maioria dos moradores da região de Sussuarana (BA)se manter como o dinheiro conquistado na colheira do café, alguns ainda vivem na pobreza como a dona Tertulina
A maioria dos moradores da região de Sussuarana (BA), a 500 quilômetros de Salvador, conseguiu melhorar a qualidade de vida com o dinheiro obtido na colheita de café em Ibiraci (MG). Compraram móveis, eletrodomésticos, comida e até construíram casas. Mas, na mesma região, é possível encontrar quem nunca veio até Ibiraci e vive na mais profunda pobreza. Tertulina Rosa de Jesus é um exemplo. Sua idade, ela não soube informar, mas parecia ter bem mais de 80 anos. Sua casa, de cinco cômodos de chão batido, apesar de grande, é muito velha. Não tem luz nem água encanada. Na cozinha há apenas um fogão a lenha e uma pia sem torneiras. Os poucos móveis espalhados pela casa são muito antigos. Ao contrário da grande maioria de seus vizinhos, ela nunca trabalhou na colheita de café. Tertulina vive com o marido Abílio de Jesus, que também não sabe a idade. O casal teve nove filhos e todos moram fora. “Tenho cinco que moram em São Paulo, só não sei onde”, diz ela. Os filhos nunca trabalharam na colheita de café em Ibiraci e para Tertulina isso pode ter feito diferença no fato da família não ter conseguido progredir como os seus conterrâneos. “O povo daqui vai tudo pra lá pra catar café e volta tudo com muito dinheiro”, disse ela, que nunca saiu do sítio de 50 hectares, no município de Sussuarana. Para sobreviver, o casal cria cabras e vacas e planta algodão. A comida é simples: arroz, feijão, abóbora e o que tiver. De manhã, só café. O maior sonho de Tertulina é ver a energia elétrica chegar até sua casa. Assim que a reportagem chegou, ela foi logo perguntando: “Cês viero botá minha luz (sic)?” Nas casas da maioria de seus vizinhos a energia já foi instalada há cerca de dois anos, dentro do projeto do governo federal Luz para Todos. Ela não soube explicar porque ainda não foi contemplada. Enquanto a luz não vem, Tertulina segue a vida usando lamparina para iluminar a casa quando anoitece. Ao fim da entrevista, esperançosa, Tertulina ainda indaga: “Cês sabe quando vão botá minha luz?”

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